Chegamos ao fim do desafio do mês de janeiro com um saldo pra lá de positivo. O comparecimento dos participantes superou todas as expectativas, e há muita coisa boa para contar na retrospectiva do mês. Vamos lá?
Desafio literário – Retrospectiva (Janeiro/2010)
Agora sim podemos dizer que o desafio começou! Na verdade, começou mesmo com o eco de muitas vozes compartilhando do mesmo grito: a gente não quer só comida! Queremos ler mais e melhor e iluminar os porões da ignorância.
Às vezes pensamos que sabemos demais e do alto dos nossos preconceitos, rechaçamos livros e histórias os quais não nos damos nem o trabalho de dar uma passadinha d’olhos para ver qual é a boa da leitura. Preconceito literário? Isso existe? Eu não sei se o termo existe e se é aplicável à discussão. O que importa é que o desafio trouxe à baila a questão do gosto literário. Uma discussão pra lá de prolífica. Já pararam para pensar que os nossos gostos são moldados por valores da cultura em que estamos inseridos? Senão, vejamos, o que é bom gosto e mau gosto para você? Porque consideramos as produções ligadas ao ordinário, ao comum como sendo bregas? Porque consideramos que o que é raro, difícil, “cabeça” seja algo de extremo bom gosto?
Ao longo das leituras das resenhas do desafio e partindo inclusive de mim mesma, reparei que associamos a boa escrita à boa literatura. No entanto, nas falas dos resenhistas e dos comentadores, existiu um algo mais que pesou para determinar a qualidade de um bom romance. Estou falando de um tema que incomodou a muitos por ser encarado mesmo que inconscientemente como mau gosto. Estou falando da temática sexual. Será por isso que vemos tantos eufemismos nas passagens mais hots desses romances? Seria com o intuito de preservar a estética do bom gosto, aliás, gosto muito mais moralizador do que estético? Classificar uma literatura como ruim porque não atende as especificidades do que é considerado clássico, erudito, “cabeça”, ou seja lá o que for, é questão de gosto pessoal ou de discriminação?
Vou parar por aqui...quem quiser leia as resenhas feitas para o desafio e veja a quantidade e qualidade de discussões que podem ser retiradas dos populares romances do coração. No fim concluí que não se pode limitar os romances de banca a meros rótulos. São escritos formulados com base na tradição do romance e que, por isso mesmo, possuem uma estrutura complexa para atender a um público que experimenta uma visão de ideal romântico quase que eliminado pelo ceticismo tão característico do paradigma atual.
È essa a proposta do desafio literário: retirar não só a poeira que cobrem aqueles livros esquecidos na estante, mas as sujeiras alienantes que embotam a consciência. No mais o desejo maior é que os autores, clássicos ou modernos, tenham o direito de serem lidos independentes de classificações ou ranking de bom gosto. Queremos que a leitura seja uma mania nacional. Queremos leitores críticos. E que jamais um livro seja corroído por traças em bibliotecas mal assistidas. A quantas andam as bibliotecas de sua região?
Pense nisso.
Bom...A leitura é o começo!
Que já em seu início, o desafio literário repercuta essas vontades.
Um viva a leitura sempre!
“A finalidade da leitura não é mais livros e, sim, mais vida”.
B. F. Skinner (1904-1990)
Desafio Literário em números:
De 133 participantes, 103 deram o ar da graça apresentando sua apreciação dos livros lidos. E 24 participantes leram o livro-reserva.
Ao todo foram 127 livros lidos.
3 rapazes na parada e, diga-se de passagem, muito bem no desafio.
Nora Roberts foi a autora mais lida. 12 vezes.
Fora do circuito dos romances de banca, foram lidos 16 livros de outros gêneros literários. Dentre eles, romances, biografias, e filosofia.
Fazendo jus ao mês mais romântico do desafio, a palavra amor apareceu 7 vezes nos títulos lidos.
Para começo de história tá mais do que bom, porém queremos mais. Contamos com mais participações. Por isso, se você ainda não está participando do desafio literário, não perca tempo, participe já. A sessão Ambiente-se tem todas as informações que você precisa saber para participar.