O não me deixes – suas histórias e sua cozinha
Rachel de Queiroz
Editora Siciliano
174 páginas
Tema: Literatura gastronômica
Mês
: Janeiro 2012

A casa ampla na capa (edição do ano 2000) é um convite para entrar e descobrir como funciona a cozinha e ouvir alguns “causos” da fazenda. De maneira leve e descontraída a autora nos revela o que é produzido no seu fogão a lenha, com forno separado. Receitas sem muita sofisticação herdadas dos índios e portugueses com um toque da cozinha da época da escravidão.

Antônia e Nise eram as chefes das cozinhas das fazendas da vida de Rachel. Antônia na Fazenda do Pici que pertenceu ao pai da escritora e Nise na Fazenda Não Me Deixes herdada por Rachel. Dentre as delícias produzidas por elas estão: paçoca (carne seca pilada com farinha e temperos), baião-de-dois (feijão-de-corda cozido com arroz), queijo de coalho, mugunzá, panelada (prato a base de tripas e bucho de carneiro), buchada, galinha de cabidela (feita com o sangue colhido ao matar), bolos, doces, etc.

Intercalando receitas e histórias que vem à sua lembrança, Rachel nos conduz ao entendimento da simplicidade no ato de se alimentar e da paixão do sertanejo pela terra árida. Feijão, rapadura, farinha são os principais ingredientes da culinária cearense que originam pratos que dão sustança. Como faltam recursos, de maneira geral, a culinária do homem do sertão não tem como ser variada. Apesar das dificuldades, o amor pela terra prevalece e nos ensina que a vida não precisa de supérfluos:

“Há um prazer áspero na permanente descoberta de quanto supérfluo a gente
se sobrecarrega e de como é fácil a gente se despojar dele.
É como tirar uma casca suja. Ou uma pele velha, seca, engelhada.
Viver no dia a dia, sem conhecer ambição, mesmo porque não há o que se querer.”

Ótimo livro! Leitura recomendada para quem quer conhecer a riqueza da simplicidade da culinária cearense!

Ana Paula de A. O. Westerkamp


Resenha escrita por Andreia Morales Cucio

A Mesa Voadora é composto por 47 crônicas em que o autor nos leva, muitas vezes acompanhado de sua esposa, a viajar pelo mundo e principalmente por uma orgia gastronomica, onde a bala dada pela aeromoça no avião é sempre a primeira de muitas refeições.

É uma verdadeira degustação, em cada crônica a descrição dos pratos nos deixa com água ma boca e os passeios pelos cidades a viver experiências que todo viajante deseja, conhecer lugares novos e viver novas experiências.

A comida, o atendimento, a guerra no Buffet, as regras para vinhos e pratos, o gourmet, restaurantes e bares são temas das crônicas, isso sem esquecer o irritante magro de ruim, que come muito e nunca engorda.

De brinde, entre um prato e outro, ganhamos as aventuras para conseguir um lugar para dormir, malas perdidas, agentes secretos, alugueis de carros, entre outros.

E a mais valiosa lição do livro é que nem sempre o caro é bom.


Resenha – O clube das chocólatras.
Por: Denise Karina
 
Ao ler este livro, a primeira coisa que se nota é que o seu consumo de chocolate aumenta consideravelmente. É impossível ler as descrições de tantos tipos de chocolates diferentes e não ter vontade de sair correndo pra comprar um.
 
O livro conta a historia de quatro amigas, que têm o costume de aliviar suas mágoas e tensões comendo chocolate, e que fizeram de uma confeitaria o seu santuário e um ponto de encontro. Juntas elas buscam conforto para suas mágoas e soluções para seus problemas no Paraíso do chocolate.
 
Cada integrante do grupo enfrenta tipos diferentes de problemas: Lucy, a mais desastrada de todas, lembra muito a Bridget Jones, enfrentando problemas com o namorado, com um chefe galanteador e com a balança; Chantal rica e descolada, com problemas no casamento que geram uma grande carência sexual; Nádia, que enfrenta dificuldades financeiras devido ao vicio do marido em jogos e Autumn, uma hiponga ativista que trabalha num centro comunitário e que tem um irmão viciado em drogas.
 
A história é bem dinâmica e atraente. Você fica desejoso de saber o que aconteceu, porém, senti falta de um fechamento na historia de Nadia, de Jacob e pincipalmente de Autumn  e Addison. Apesar de não ter grandes finais, o livro é uma boa pedida pra quem gosta de romances ‘água-com-açúcar’ e de passar o tempo com histórias engraçadas.
 
Denise Karina – denisectmdt@gmail.com


Resenha escrita por Juliana Rodrigues

Escolhi o livro Julie & Julia, de Julie Powell para minha leitura de janeiro. A obra relata a história de Julie, que cria o projeto Julie/Julia, onde o objetivo é preparar todas as 524 receitas de "Mastering the Art of French Cooking", o livro clássico de Julia Child, em apenas 365 dias.

Sinceramente, não gostei do livro, acho que principalmente por eu ser vegetariana e a autora tecer diversas criticas a quem não come carne; além do fato de que o livro possui algumas partes que realmente me deixaram  desconfortável, como a receita de rins que Julie prepara em determinado momento, e todas aquelas descrições minuciosas sobre cortar carnes, matar lagostas, entre outros.

Acho que a leitura de fevereiro será mais agradável.

Beijos.


Resenha escrita por Lílian Martins
Desafio Literário 2012
Tema: Literatura Gastronômica
Mês: Janeiro
Leitura do mês:  Papel Manteiga para embrulhar segredos
Autora: Cristiane Lisboa
Editora Memória Visual, 101 páginas.


Não me lembro de ter lido algo que pudesse ser classificado como “literatura gastrônomica” até o ínicio desse Desafio Literário 2012. Dentre as sugestões indicadas no blog, o livro de Cristiane Lisboa, seja pela título como pelas sinopses que encontrei no Skoob, chamaram minha atenção e foi a obra escolhida para resenha nesse mês de janeiro. Com uma edição cuidadosa, Papel Manteiga é dividido em duas partes: Cartas Salgadas e Cartas Doces. O enredo, aparentemente simples: a troca de cartas entre uma jovem aspirante à chefe e sua avó. Não existem referências aos locais e já no primeiro paragráfo, Antônia – a aspirante a chefe – apresenta ao leitor a atmosfera que deverá acompanhar toda a narrativa: “ Bisa Ana, estou em alguma parte do mapa. Não posso dizer qual, pelos motivos que nós duas sabemos”. (p.07). Em cartas elaboradas em papel manteiga, Antônia informa sua avó sobre o desafio de aprender com a Senhorita Vírginia, dona de uma pequeno restaurante que fica no topo de uma colina. Na primeira menção à Virgínia, Lisboa oferece ao seu leitor uma narrativa bem construída e repleta de delicadeza, em trechos como o seguinte : “ Gente que não mente nem quando precisa pode causar profundos danos em corações sensíveis”. (p.07).  A troca de correspondência é permeada por receitas que desempenham um papel relevante na narrativa: as receitas também contam uma história. O que parece ser uma simples coleção de cartas conduz a uma reflexão sobre o fazer literário. Mais do que isso não falo. É um livro que vale apena ler, com uma escrita agradável e repleto de trechos que ficam martelando na sua cabeça como o seguinte, um dos meus favoritos:
Pense comigo, Bisa, não existem declarações de amor com sinceridade absoluta. Muito menos elogios, jantares, casamentos e literatura. Jamais houve um só verão que tenha sido vivido com franqueza. A própria imaginação do tempo embaralha as lembranças com o que não aconteceu, para que nossa própria existência entre para o álbum de família como mais interessante. Mentem com veracidade os que escrevem diários e os que prometem infinitos domingos sem tédio. E todos salvam heroicamente as existências pessoais e alheias da completa mediocridade. Porque escolheria eu a verdade? Sei que sou imbecil. Mas, prefiro que digam que sou encantada com o aéreo. Opinião de muita franqueza, aliás. Porque a não sinceridade faz com que tudo que seja dito seja verdade-verdadeira. Antônia.(p.57).

Vírginia, a dona do restaurante é uma personagem que aparece aqui e acolá no texto, merecendo da autora um destaque maior. Por acaso, descobri que Cristiane Lisboa acaba de lançar o “ Duas pessoas são muitas coisas: estória de Vírginia”. Fica o convite.