É motivo de muita satisfação poder contar com a contribuição voluntária de pessoas que apóiam nosso projeto. A Tábata do blog Happy Batatinha é uma delas. O HB é um blog com um contéudo que versa sobre uma variedade  de coisas que habitam o mundo da Tábata. Isso implica dizer que lá você encontrará dicas de simplicidade e muitas outras ideias criativas no mundo da net e dos livros. Para o fascínio dos colecionadores,  todas as quintas-feira a Tata apresenta uma galeria de marcadores de páginas dos mais variados tipos. Marcadores de Quinta é o nome da coluna e vocês estão todos convidados a dar uma passadinha por lá.

Tábata,  querida, o DL só ganha ao tê-la como nossa colaboradora. Muito obrigada!

Pessoal, leitores e/ou colecionadores, o lance é o seguinte:  a cada desafio, dois participantes serão contemplados com o marcador de página do Happy Batatinha (blog da Tábata). Veja só!

Super bacana, não?

E os contemplados  são:

Sharon Caleffi e Maylee-Chan!

 

Caríssimas, parabéns! E, por favor, enviem os seus dados de endereço para o email desafioliterario[arroba]gmail[ponto]com.  Estamos no aguardo.

A numeração do sorteio é de acordo com a ordem de participação no autolink. Vide autolink de janeiro: http://desafioliterariobyrg.blogspot.com/2012/01/janeiro-literatura-gastronomica.html


Aqui o provérbio "comida sem caldo, papo dessecado" não tem vez. Às voltas com um começo culinário, o DL se tornou "Panela de muitos, cozida e bem comida". Afinal, o assunto rendeu. E o que se leva dessa história é que  "tanto a leitura, como a comida, não alimenta senão digerida". 

Começamos bem, com 247 resenhas, opiniões ou impressões de leitura, como preferir. Vale destacar os campeões de leitura:  Julie & Julia, de Julie Powell e Como água para chocolate de Laura Esquivel foram lido 33 vezes.  Luís Fernando Veríssimo continua sendo um querido da galera. Emplacou bem  os livros
O clube dos anjos e A mesa voadora.  Segue o gráfico: 


Abro um parentêsis para um pedido de desculpas aos participantes. Gostaria de ter comentados todas as resenhas que li. Saltava aos olhos o entusiasmo, o cuidado, o zelo crítico presente em cada texto. Mas, entre ler as resenhas e registrar cada leitura no controle de acompanhento do DL, os comentários viraram artigos de luxo. Espero que em fevereiro isso possa ser sanado para que o trabalho de vocês recebam a consideração devida.

Como de praxe, segue a lista dos destaques da rodada: 

Amanda Löwenhaupt - 12 livros lidos
Shirlei Mello - 7 livros livros lidos
Laura Cunha - 5 livros livros lidos
Luma Kimura - 5 livros lidos
Mariana Maia (Maylee-Chan) - 5 livros lidos 
Rafaela Marinho - 5 livros lidos
Letícia Guedes - 4 livros lidos
Priscila Sganzerla - 4 livros lidos

Se o nome de quem leu mais de três livros não aparecer na lista, ou se houver algum outro erro no cômputo, por favor, avise-nos. Teremos o maior prazer em reparar o erro.


Penso ser útil compilar em um só lugar os livros lidos no mês de janeiro. Assim, montamos esse guia temático para aquele que, assim o quiser, possa pesquisar e escolher uma leitura dentre os títulos expostos abaixo: 

  • Papel Manteiga Para Embrulhar Segredos, da Cristiane Lisbôa
  • The Unofficial Harry Potter Cookbook, da Dinah Bucholz
  • O clube das chocólatras, de Carole Matthews
  • Julie & Julia, de Julie Powell
  • Mil dias em Veneza, de Marlena de Blasi
  • A mesa voadora, de Luís Fernando Veríssimo
  • A mesa voadora, de Luís Fernando Veríssimo
  • Mil dias na Toscana, de Marlena de Blasi
  • A sopa de Kafka, de Mark Crick
  • Homens, mulheres e chocolate, de Menna Van Praag
  • Como água para chocolate de Laura Esquivel
  • O pão da amizade, de - Darien Gee
  • Pão de mel, de Rachel Cohn
  • A ponte das turquesas, de Fernanda de Camargo-Moro
  • A morte do gourmet, de Muriel Barbery
  • Fama à Mesa, de Fabiano Dalla Bona
  • Cup Cake, de  Rachel Cohn
  • O clube do biscoito, de Ann Pearlman
  • Chocolate Amargo - Uma Autobiografia, de Gordon Ramsay
  • Nanny Ogg's Cookbook, de Terry Pratchett
  • Comer, rezar, amar, de Elizabeth Gilbert
  • A peleja do alecrim com o coentro e outros causos culinários: receitas e cordel, de Tatiana Damberg
  • Chocolate, de Joanne Harris
  • A Dieta das Chocólatras , de Carole Matthews
  • Destrinchando, de Julie Powell
  • Escola dos Sabores, de Erica Bauermeister
  • As Revelações Picantes dos Grandes Chefs, de Irvine Welsh.
  • O pedante na cozinha, de Julian Barnes
  • Bon Appétit - French Twist Series, de Sandra Byrd
  • Amei, perdi, fiz espaguete, de Giulia Melucci
  • Literatura e Gastronomia - Um casamento perfeito, Fabiano Dalla Bona
  • Eu odeio cozinhar - receitas fáceis para quem tem mais o que fazer, de Peg Bracken
  •  Uma vegetariana no açougue, de Tara Austen Weaver
  • A Cozinha de Francesca, de Peter Pezzeli
  • Sangue, Ossos & Manteiga, de Gabrielle Hamilton
  • Cozinha Confidencial: Uma Aventura Nas Entranhas da Culinária, de Anthony Bourdain
  • A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Roald Dahl
  • Clube do Jantar, de Jessie Elliot
  • Cozinheiros demais - Rex Stout
  • Como cozinha um lobo, de MK Fisher
  •  Escoffianas Brasileiras, de Alex Atala
  • Candidíase - A Praga, de Sônia Hirsch
  • O rapto das cebolinhas, de Maria Clara Machado
  • Chez Moi, de Agnes Desarthe
  • Quem disse que cozinha não é lugar de homem?, de Lourivaldo Baçan
  • Encantos do Jardim, de Sarah Addison Allen
  • Conforte-me com Maçãs, de Ruth Reichl
  • Sabor de sangue e chocolate, de Helena Gomes
  • Um cientista na cozinha, de Hervé This
  • Charlie e o Grande Elevador de Vidro, Roald Dahl
  • Cinco Quartos da Laranja, de Joanne Harris
  • Céu da boca - lembranças de refeições da infância, de Edith M. Elek
  • A parte mais tenra - um saboroso aprendizado de vida, de Ruth Reichl
  • Memórias Gastronômicas de Alexandre Dumas
  • Uma história comestível da humanidade, de Tom Standage
  • Ishq & Mushq - Amor & Cheiro, de Priya Basil
  • Pegando Fogo! Como Cozinhar nos tornou humanos, de Richard Wrangham
  • Amores e Amoras - Jude Deveraux
  • O Não me Deixes: suas histórias e sua cozinha , de Raquel de Queiroz
  • Baunilha e chocolate, de Sveva Casati
  • L’Écume des Jours, de Boris Vian
  • Porque as Chinesas não contam Calorias de Lorraine Clissold
  • O Rei dos Chefs, de Kenneth James
  • Gourmet Rhapsody, de Muriel Barbery
  • A Senhoras das Especiarias, de Chitra Divakaruni
  • Aprendiz de Cozinheiro, de Bob Spitz
  • Jogando por Pizza, de John Grisham
  • Assando Bolos em Kigali , de Gailen Parkin 
  • O Grande Livro da Comida: Perdidos na Ilha entre o Terror e o Fogão, de Viviane Ka 
  • O Último Charuto no Arabs Szürke - Gyula Krúdy 


 Resenha escrita por  Amanda Cristina do Vale.

Marina
Carlos Ruiz Zafón

Surpreendente

O livro conta a história de Óscar, um adolescente solitário que vive em um colégio interno e seus pais nunca o visitam, estão sempre ocupados. Um dia,

passeando pelas ruas de Barcelona, Óscar, por causa de sua curiosidade, entra em um casarão e lá conhece os donos da casa, Marina e seu pai, Gérman. Óscar

encontra neles a família que ele não tem.

Juntos, Óscar e Marina vivem aventuras inacreditáveis, que o autor narra com muito suspense.

No livro pode-se observar duas histórias diferentes: a paixão de Óscar por Marina, a vivência dos dois no casarão e a busca deles por explicações para uma

série de acontecimentos estranhos, que começam com uma mulher de vestimentas negras visitando um cemitério.

Comecei a ler o livro sem saber do que se tratava, eu imaginava que seria mesmo um romance, mas apenas narrando a paixão de dois adolescentes. Surpreendi-me

com tanto suspense, que prendeu muito minha atenção. O livro é muito bem escrito, os personagens são envolventes. Foi o primeiro livro que li do Zafón e já

estou ansiosa para ler outros.














 Por Sueli Couto

CLARA DOS ANJOS - LIMA BARRETO -  LIVRO 4

Este romance de Lima Barreto passa-se no subúrbio carioca e ele o descreve com riqueza de detalhes tanto nos ambientes como a vida das pessoas que ali vivem.  Apresenta o advento dos “bíblias”, os protestantes e sua forma muito eloquente e tenaz de conquistar novos fiéis para seu culto. É um romance profundo e denuncia toda espécie de injustiças praticadas contra os menos desprovidos financeiramente, os humildes. É carregado de referencias sobre o preconceito racial.

Clara é uma mulata jovem, pobre, humilde, ingênua, que vive no subúrbio carioca com seus pais, Joaquim e Engrácia. Joaquim era carteiro, tocava flauta, gostava de violão, compunha valsas, tangos e acompanhamentos de modinhas. Não gostava de sair de casa e sua diversão era passar as tardes de domingo jogando solo com seus dois amigos: o compadre Marramaque e o português Eduardo Lafões.

Clara tinha 17 anos, era tratada com muito desvelo, recato e carinho pelos pais e como eles não gostavam de sair de casa, quando ela raramente saia era sempre acompanhada pela vizinha, Dona Margarida, uma viúva muito séria.

Apesar das cautelas e cuidados da família, Clara é iludida e seduzida por um rapaz de classe media carioca. Os dois se conhecem quando ele, cantor de chorinho, vai tocar no dia de seu aniversário em sua casa. Cassi não era belo e nem virtuoso do violão, mas canta dengoso, meloso e a seduz.

O padrinho Marramaque, que já lhe conhecia a fama, tenta afastá-lo de Clara quando percebe seu interesse. Na festa de aniversário da afilhada, recita e provoca Cassi, deixando claro que ele não é bem-vindo ali. Cassi também antipatiza com Marramaque e sabia que ele percebe seus maus propósitos em relação a Clara.  Cassi enche-se de fúria e vinga-se de modo violento: se junta a um capanga e ambos assassinam Marramaque. Clara, logo desconfia do rapaz, mas o perdoa, pois ele diz que matou por amor a ela.

Clara na ingenuidade de sua idade e na falta de contato com o mundo, concluía que Cassi era um rapaz digno e podia bem amá-la sinceramente.

Malandro, mau caráter e perigoso, Cassi já havia se envolvido em problemas com a justiça antes, mas sempre fora acobertado pela sua família, especialmente sua mãe, que não queria que fosse preso.
Clara engravida e Cassi Jones desaparece. Ela pensa em morrer, abortar mas convencida pela vizinha, dona Margarida, vão procurar a família de Cassi e pedir “reparação do dano”. A mãe do rapaz humilha Clara, mostrando-se profundamente ofendida porque uma negra quer se casar com seu filho.

E, na cena final, ao relatar o que se passara na casa da família de Cassi Jones para a sua mãe, conclui, em desespero, como se falasse em nome dela e de todas as mulheres em iguais condições: “— Nós não somos nada nesta vida.”


Por
Maria Amelia Mello

“Marina” foi o segundo livro que li do autor Carlos Ruiz Zafon, o primeiro foi o conhecido best-seller “A Sombra do Vento”. Como “A Sombra do Vento” foi um livro que gostei muito e guardo com carinho alguns personagens, foi fácil me decidir a ler.
A semelhança entre os dois livros é bem visível, pois ele tem um estilo narrativo bem próprio. Os livros deste autor costumam ter uma história dentro de outra história e o legal é que as duas envolvem o leitor. Na narrativa, é bem marcante o ar poético e o clima de mistério e suspense.
Neste livro o mistério já começa na capa e contra-capa já que o autor conta bem pouco sobre a história, o suficiente apenas para aguçar a curiosidade do futuro leitor. Vou respeitar o autor e tentar não revelar muito.

A história se passa em Barcelona, final dos anos 70 e início dos 80. Óscar Drai é um jovem de 15 anos, aluno de um internato que tem uma vida bem tranqüila,  mas que gosta de se aventurar pela cidade. Em uma dessas andanças pela cidade ele conhece Marina, uma jovem de olhos cinzentos e respostas afiadas que mora em um casarão com seu pai em um bairro antigo.

À princípio você achará que o livro é apenas um romance juvenil envolvendo um jovem solitário e uma moça de personalidade forte. É isso, mas também é muito mais. À partir do momento que Marina pergunta a Óscar se ele gosta de mistérios, somos apresentados a uma história sombria, com investigações cheia de suspense e que nos apresenta personagens amedrontadores.

A trama do livro prende do começo ao fim e a leitura vai muito rápida.  Mesmo quem ainda não conhece o trabalho do autor, irá se deixar levar pela narrativa envolvente e não se arrependerá.
Apenas por curiosidade, em algumas partes do livro me peguei pensando que a qualquer momento algum personagem mais adulto iria soltar a famosa frase dos bandidos que são pegos pelo Scooby-Doo: “Se não fosse estes garotos e este cachorro intrometidos!”. Nossa, não levem a sério, isto é coisa da minha cabeça que assistia muito Scobby-Doo e lia a “Droga da Obediência” do Pedro Bandeira!

Outra coisa que achei muito interessante é que li que o autor considera este o seu livro preferido.


Por Sueli Couto
Carolina - Casimiro de Abreu livro 5

É uma história muito triste que envolve amor, paixão, traição, ódio, morte e finalmente perdão. Senti uma tristeza profunda ao ver como cada escolha pessoal afeta infinitamente a vida de outros, e o que era para ser uma linda história de amor acaba numa dolorosa tragédia.


A história começa com Augusto e Carolina, debaixo dum lindo caramanchão, se despedindo. Augusto precisa viajar e os dois trocam beijos, juras de amor e fazem  promessas de se reencontrar no mesmo lugar. No entanto, seis meses mais tarde, Carolina se envolve amorosamente com Fernando que a seduz e a abandona a própria sorte.

Augusto retorna e tem uma grande decepção ao ver que a família da sua amada se mudara sem saber que foi por causa da vergonha da gravidez de Carolina, que abandonou o lar.
Augusto, amargurado, parte para Lisboa, tentando retomar sua vida, e um dia passeando com seu amigo, Fernando, conta sobre seu amor perdido, ambos vão parar num meretrício onde Fernando, como meio de Augusto esquecer uma antiga paixão, o incentiva a passar a noite com uma prostituta esquecer sua dor e decepção.

O destino é cruel e quando Augusto e Fernando vão a um dos quartos se deparam com Carolina que conta para Augusto ter sido Fernando que se aproveitou de um momento de fraqueza dela lhe engravidando e a deixando-a sozinha, sem outra saída acabara se entregando a prostituição. Augusto com muito ódio entra numa luta corporal com Fernando e o mata fugindo em seguida.

No outro dia ele volta ao meretrício a procura de Carolina, mas ela já tinha fugido e lhe deixa uma carta onde pede perdão por ter traído Augusto e confessa ainda amá-lo muito.
Carolina acabou por não resistir tanto sofrimento e um mês depois gemia agonizante em Setúbal. Seu coração de mulher não resistiu a tantas comoções.  E na triste e solene hora do passamento junto a um padre, se arrepende, pede perdão, e antes de morrer pede que ele envie uma carta a seu amado. Nesta carta lamenta sua forma de agir, fala de seu amor, de sua morte e pede novamente seu perdão.

“ Adeus, Augusto: quando leres esta carta já estarei morta. Consola meu pai e minha mãe, se os vires. Não amaldiçoes a minha memória! Morro beijando o teu retrato, que levo comigo ao túmulo. Adeus! ora por mim!

Carolina

— Sim, sim, disse o mancebo, caindo de joelhos e juntando as mãos, eu oro por ti. Que Deus te perdoe como eu te perdoei.”


Resenha escrita por Carina de Brito ( Tema Nome Próprio/Fevereiro)

 Em defesa de Capitu

Difícil é falar de quem nunca nos dirigiu a palavra, de quem nem ouvimos o som da voz, ou mesmo de quem nem sabemos ao certo, se respira. É assim que me sinto por querer defender Capitu.   Bento Santiago, o nosso Bentinho, faz jus as qualidades de Capitu, contamos com altas definições do porque se apaixonou por esta moça. Contudo, foi ele, Bentinho, que nos contou e não Capitu que se mostrou ou argumentou ou defendeu a própria história. A falha para poder julgá-la é exatamente isso que acabo de vos falar, a narrativa é contada por quem vivenciou na pele o sofrimento de uma história de amor frustrada pelos ciúmes, orgulho e vaidade.

Como não iniciar falando dos olhos de cigana oblíqua e dissimulada? “Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. (…) Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca.” Capitu sem olhos, não é Capitu. E foram estes mesmo olhos que atraiu irrestivelmente Bentinho, e que matou Escobar.

Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.”

Escobar, melhor amigo de Bentinho, morreu afogado e foi seu amigo que organizou o velório e enterro. Mas como mencionei, foram os olhos de ressaca, o olhar de Capitolina que o matou, na verdade, para Bentinho. Seguem-se os vinte últimos capítulos, os 128 capítulos anteriores falam de alegrias e tristezas envolta do amor, todavia estes últimos está claro todo o ódio que há no coração de Bentinho pela traição de Capitu (traição esta nunca comprovada ou admitida pela mesma).

O filho, Ezequiel, seria a prova viva desta traição, pois sua semelhança ao defunto é tanta que o pai, Bentinho, não suporta vê-lo, tem repudio do próprio filho e coloca-o como peça principal de seus desgostos por Capitu. Manda-o para o internato, como se assim pudesse livrar todos os maus pensamentos e sentimentos.

Machado nos prega peças o tempo inteiro, cabe nós cairmos nelas ou não. Há um momento em que o pai de Sancha (amiga de Capitu, viúva de Escobar) traz o seguinte comentário ao Bentinho: “a mãe de Sancha não é parecidíssima com Capitu?” “na vida há dessas semelhanças assim esquisitas”. Ora, se pode assim, haver semelhanças, como a mãe de Sancha ser parecida com Capitu, porque não pode o filho de Bentinho ser dessas semelhanças esquisitas da vida?

Do amor ao ódio em pouquíssimos capítulos, e Capitu, sem chance de defesa, vai para o exterior com o filho. A morte dos dois lhe parece a solução, e depois de tantos anos desse rancor, tudo se esvai por entre os dedos de Bentinho, e o vazio da falta de seu único amor perdura.




                                                                                                                     Carina de Brito