Estamos chegando à reta final. Parece que o desafio começou ontem! O desafio está tão bom que nem vi o tempo passar.

Por outro lado, me rejo pelo calendário para planejar o DL 2011 que está na soleira. E como planejar requer antecedência, vamos ter que trazer a segunda edição do desafio à tona. Por isso, as coisas aqui se darão ao ritmo de tudo  ao mesmo tempo agora.

No que tange a leitura, ainda está em tempo de dizer que sou apaixonada pela forma como ela nos liberta da ditadura do relógio.  Ela rouba o tempo que a gente tem. Se assim não o fosse, como explicar que lemos mesmo quando não há tempo?  A paixão por leitura dá um jeito de seqüestrar uma horinha, não é mesmo?  Os 32 participantes do desafio do mês que o digam. Parabéns, pois sei que o prazer de ler é que os leva a estar aqui.

Uma passada d’olhos nos títulos lidos do mês basta para identificar leituras bastante diversificadas.  Quem procura dicas de livros com contexto histórico,  encontrará um menu variado.  Sobre o tema do mês, é interessante notar como  o pano de fundo histórico nos coloca em culturas e tempos distintos do nosso,  fazendo com que participemos da trama com os olhos de quem lá viveu. Ao mesmo tempo trazemos o ontem para o hoje uma vez  que não resistimos a compará-lo com o contemporâneo.  Faz parte do show. Além da viagem no tempo, um romance histórico agrada pela constatação de que não podemos compreender o mundo sem recorrer ao passado. 

È isso! Que venha o próximo tema.

Desafio Literário 2011 vem aí! Vai encarar?



Passamos o mês decifrando enigmas, imersos em jogos de inteligência e ganhamos a partida! E teve quem pediu Bis! Demonstração pura de que raciocínio lógico e a emoção caminham juntos na literatura policial. Não é a toa que o Romance Policial seja tão popular. Desde sua invenção pelo então genial Edgar Alan Poe em 1841, o gênero se aperfeiçoou e segue vivo para o nosso deleite.  Mesmo que todas as fórmulas e estruturas narrativas possíveis tenham sido batidas e rebatidas, mesmo que os artifícios que regem a dinâmica da narrativa tenham se esgotado, o enigma, ou melhor, o ato de decifrá-lo é o que nos encanta. Toda vez que leio uma narrativa policial fico a pensar que o elemento primordial de sustentação da trama é, de fato, o leitor.  Primeiro porque o leitor deve ser conquistado. Nada de obviedades baratas tal como sacar da cartola um mordomo assassino. Perde-se o leitor num átimo.  Porque o que se quer ao ler tal gênero é a motivação do desconhecido. Segundo por que o leitor do gênero é também detetive. O detetive e o leitor devem estar em posição de igualdade. Eis o famoso fair play postulado pelos teóricos e escritores policiais. (mais um ponto para a motivação). Tudo devidamente bem dosado,  é certo, para que o ouro não seja entregue em hora imprópria. Tudo em seu devido tempo, caro leitor. Assim, é mais divertido! Como o foi o desafio do mês. E que venha o próximo tema!

Até agora: 45 livros lidos (Resenhas atrasadas serão recebidas via email romancegracinha[arroba]gmail.com)
Nora Roberts: 7 vezes lida
Agatha Christie: 5 vezes lida   
Jeffery Deaver: 4 vezes lido


O desafio de Julho foi  bem divertido!

Dessa vez pudemos contar com a arte narrativa do cinema também. Nada como experimentar a teia de relações e influências entre essas duas artes tão magníficas, o cinema e a literatura. As duas artes, cada uma à sua maneira, concebem tão magicamente a forma de contar uma história de modo que nos sentimos entregues em um fascínio mudo. Puro êxtase!

Pensando em pontos comuns entre o cinema e literatura, um elemento se destaca.  Eis a palavra, sempre ela, a dona do pedaço.  A palavra destaca-se com direito, excelência e mérito porque é a pedra angular da imagem. Sem ela, não há cinema, não há literatura. Mesmo no cinema mudo se presencia a força estética da comunicação expressa por palavras que se fazem presentes por sua total ausência.  Na literatura há que se notar que até mesmo o indizível exerce sua força de expressão.

No entanto, é preciso considerar que ao mesmo tempo em que se aproximam, o cinema e a literatura também se distanciam. Pode ser que seja essa a deixa para que entrem em cena os recorrentes comentários que acusam uma adaptação cinematográfica de traição à sua obra literária. O que queremos? Fidelidade literal apenas? Todavia, não se trata de pegar o livro e transportá-lo palavra por palavra para se criar um filme. Um filme, pela própria natureza do seu meio de comunicação, não se restringe a traços textuais.  Como leitora, o que considero mais interessante é a percepção de que o diretor e sua equipe são antes leitores, e é a sua bagagem de outras tantas leituras que segue ali embutida.

È, pessoal, as releituras trazem consigo novas significações de modo que o bacana é saber dialogar com outras leituras de mundo.

Sim, esse assunto é tão vasto que cabem muitas questões, dentre elas: Porque quase sempre elegemos a fidelidade ao original como critério de análise de uma adaptação se o ato de adaptar comporta a modificação? Será a nossa interpretação  melhor que a dos outros? Será que nosso julgamento parte de uma tradição (nem sempre percebida) em que se confere maior prestígio a literatura do que ao cinema?
Vale a pena refletir sobre isso.

Sejam quais forem as resposta, que alcancemos a compreensão de que é preciso sempre ver mais longe. E no mais, a boa arte deve ser apreciada sem preconceitos.

Nesse mês, montamos um cardápio literário bem variado, mas foi O leitor de Benhard Schlink que predominou: cinco vezes lido.

E que venha o desafio de agosto!


E aí, pessoal?

Já vou logo dizendo: Senti falta de muita gente nesse desafio. Teve gente que não apareceu nem para um oi! Olhe bem, pessoal, desafio é desafio e não vale autoengano. Tudo bem considerar a leitura como piquenique, afinal literatura é prazer mesmo, um manancial inesgotável de entretenimento. Todavia, a literatura é também informação, e mais ainda,  conhecimento. Sabe do que estou falando? Da matéria literária de conteúdo. Sim daquela que inspira o leitor a pensar interpretando. E quem disse que pensar com criticidade não é prazeroso precisa rever seus conceitos. Longe de mim dar uma de esnobe intelectual. Adoro entretenimento indolor, amo aventurar-me nos meandros da cultura inútil. Mas gosto  e muito de livros bem pensados que me instiguem a pelo menos tentar compreendê-los.

Dentre esses, claro, existirão os  livros inacessíveis por seu caráter hermético e confuso. São essas as leituras mais desmotivadoras para uns e as mais desafiadoras para outros.

Quem disse que ler é fácil? Para certas leituras uma passada d'olhos não basta. Há que se ter uma certa dose de sacríficio em que se faz necessárias lidas e relidas. Vezes sem conta se preciso for.  Com calma e sem pressa.

E claro fique, no DL apartheid literário não cola. Aqui tudo é uma geléia geral mesmo. È também um sonoro porque não?

Porque não ler Clarice? Porque não ler Lygia Fagundes Telles?  Martha Medeiros, Fal,  Cecília,  Maetê,Thalita, e tantas outras?

Porque não uma literatura sem os estereotípos de gênero? Uma literatura sem bandeira? Sem modismo e pedantismo?

Por isso, peço, vistam a camisa do desafio literário. Leiam o que nunca leram e permitam-se tentar compreender o que, à primeira lida, parecer confuso.

"Chega mais perto e contempla as palavras, cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível que lhe deres, trouxeste a chave?"



Carlos Drummond de Andrade

Autora  mais lida? Clarice Lispector: doze vezes.

PS: As resenhas que fiz dos desafios de maio e de Junho serão postados assim que possível.


Chick-lit...aonde enquadrar esse gênero de nome coquete e faceiro  e um tanto quanto depreciativo? Leitura despretensiosa, diversão, comédia romântica, escapismo...Chick lit é sapo ou é príncipe?
Foi interessante acompanhar a saga de nossos desafiantes do mês. Para alguns, a  leitura foi um pitel. Para outros, difícil de engolir. O que chama a atenção nos comentários da maioria é a indefinição do que vem  a  ser Chick-lit na prática.

Quem diria que por detrás de uma cortina de confete, o gênero traz  tramas espinhosas e controversas? Sim, há que se dizer: suas capas coloridas a estampar imagens de teor  engraçadinho, leve, vintage,  não são apenas vibe de riso. Entre a capa e a contracapa de um chick-lit, seus personagens, seres estereotipados, são como bobos da cortes que nos fazem rir, mas não escondem as marcas das tristezas em sua face.  

Portanto, um aviso aos navegantes, há vários chicks dentro dessa lit: os sérios, os espirituosos, os misteriosos, os  com tudo isso dentro, os que falam de coisa nenhuma e por aí vai. Então, quando sacarem um chick-lit da pilha, lembrem-se da versatilidade identitária que o acompanha.

Há que se ressaltar a tensão cultural presente nas falas dos participantes. Não vou citá-las aqui, porém quero que repercutam as questões que tais falas ensejaram: Os que apreciam livros do tipo são alienados? Chick lit entorpece os sentidos e desliga a consciência? Ou será que falta nos críticos pouca disposição para olhar e entender o gênero? 

Taí um tema que rendeu pano para manga.

Certezas? Uma. A de que só temos a ganhar com o confronto de idéias.

Desafio em números:

Marian Keyes foi a rainha do mês: 16 vezes lida.

Em segundo lugar, Sophie Kinsella, 14 vezes lida.


E assim, letra por letra, superamos o desafio de Abril. Felicito a todos os que se empenharam em cumprir mais essa etapa do desafio.  Ao saber do retorno de muitos ao ato esquecido da arte de ler, sinto-me mais do que recompensada. Por isso agradeço a todos que fazem dessa brincadeira um deleite coletivo.  Em especial, dedico um carinho a essa fase em razão da temática. Pouco conhecemos da literatura latino-americana. È fato.  Mediante os comentários da maioria de nós, participantes, esse momento foi o da descoberta da dimensão incomensurável de nossa herança literária. A literatura latino-americana tem nomes de valor que não deixam nada a dever a arte literária produzida em qualquer parte do mundo. Quem se desafiou, pôde ver a cortina do preconceito sendo descerrada. Literatura latino-americana não é apenas realismo fantástico. Existem modelos literários outros que apetecem aos gostos variados dos mais exigentes devoradores de livros. Basta ter disposição para conhecer esse mundo vasto da “latinidade” literária. Sim, muito de nós,  acostumados que estamos ao discurso literário europeu e norte-americano, tivemos dificuldades em entender o discurso dos latinos-americanos.  Mas não vale desistir. Vale mais apreciar tal discurso com o  seu quê de diferente, novo, desafiador e transgressor.


De modo que digo: ler é uma arte aprimorada com a prática. Com tempo e exercício, desenvolveremos nossas competências para a leitura ao ponto de naturalmente  apreciarmos a beleza extrema de cada obra. Nesse sentido, faço um apelo para que atentemos mais para a literatura aqui produzida uma vez que entre livros e autores, tem muita coisa boa para conhecer.

Continuemos nesse embalo!

Em abril tivemos:

64 Livros lidos

Deu Gabo na cabeça : 17 vezes lido.

Isabel Allende também não fez feio. 10 vezes lida.

E da terra brasilis o autor mais lido foi Luís Fernando Veríssimo. 5 vezes lido.

Vamos aumentar esse número, pessoal!