Por Fabiane Siqueira

Este é um livro que retrata a violência contra a mulher e os desenlaces que surgem após essa violência.

Margarida é abusada por alguém muito próximo, e decide ir embora, não vendo outra alternativa. Muda-se para a casa dos tios e recomeça sua história, embora sempre com sobressaltos. O passado a assusta e em alguns momentos a paralisa.
Depois de viver alegrias, se apaixonar e reencontrar sua mãe e a irmã, ela se vê novamente em fuga. E vai para São Paulo, tentar recomeçar.... Sua vida lá é permeada de muitos bons momentos e ela as poucos começa a refazer a sua vida e sonhar com um futuro melhor. Mas o passado sempre retorna, seja através de más lembranças ou de acontecimentos que a levam a tomar uma corajosa decisão. Punir o responsável pelo seu pior pesadelo.

Livro bem escrito, embora com um tema denso, consegue ser uma leitura agradável e fluída. Vale a pena ser lido.


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Notaram que o sorteio do tema passado não foi feito? Pois é, a Cristina Tronco do Ateliê da Tininha estava curtindo uma boa e merecida viagem e, por isso, tivemos que adiar o sorteio. Mas ela está de volta e você que leu e resenhou um ou mais livros relativos ao tema Livro-Reportagem pode ser o ganhador  de um conjunto de 03 Marcadores belíssimos feitos pela Cristina. Curiosos para saber quem foi o sortudo(a) da vez?


Imagem ilustrativa. O modelo e as cores dos marcadores serão escolhidos por Cristina.
 
E os marcadores são da Priscila Louredo! Valeu, Priscila e continue participando com suas leituras e resenhas. Mande o dados de endereço para desafioliterario[arroba]gmail[ponto]com.



Dica DL 2011: O Atelier da Tininha é também uma loja virtual especializada em produtos artesanais, originais e personalizados.  Muita coisa bacana mesmo. Passa lá!


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Por Pedro Marques
Se há uma coisa que os meios de comunicação de massas como a rádio, televisão e computadores não podem substituir nunca são os livros. É verdade que as pessoas se desabituaram de ler. As razões para o facto são muitas e não as vou analisar aqui. Mesmo assim ainda há alguns milhões de pessoas em todo o mundo que acham que o livro pode ser uma fonte incomparável de prazer. Porquê? Porque através da linguagem e da história se podem conjurar imagens, emoções, intrigas, morais, conhecimentos, etc. Muitas vezes se diz que o prazer que se obtém de um livro é individual e que cada pessoa faz a sua própria história. Nada mais verdadeiro. Mas, e a leitura de textos de teatro? Como classificar essa experiência?

A escrita para teatro é o parente pobre da literatura. Quase ninguém lê textos para teatro. Contudo, quando se fala do melhor escritor de todos os tempos, é certo que grande percentagem das pessoas dizem: William Shakespeare. Ora, as grandes obras deste escritor foram escritas para o teatro e nem por isso deixou de ser grande, reconhecido e estranhamente actual.

O propósito aqui não é analisar a obra de Shakespeare mas sim chamar a atenção para um género literário que caiu em desgraça pelo simples facto de as pessoas já não lerem teatro. Por que razão? Talvez porque um texto dramático é uma espécie de receita culinária e está para a prática teatral como uma receita está para a cozinha ou uma partitura está para a música e as pessoas se sentem excluídas pelo carácter técnico – as instruções cénicas são muitas vezes dissuasivas e as pessoas não se conseguem envolver na acção. Mas devemos perceber que a cor das palavras, o ritmo delas, a sua emoção, só serão totalmente apreendidos quando forem lidas em voz alta – tal como na poesia.

A literatura dramática é por isso uma espécie diferente de literatura. E um livro de teatro é um livro que só poderá ser completamente “lido” quando for lido e ouvido. É isto que proponho com a primeira parte deste Manual de Instruções Para A Leitura de Textos de Teatro.
Há cem anos a prática de ler peças de teatro em casa, ao serão, era relativamente comum. Não havia cinema nem televisão e as pessoas faziam as suas próprias encenações amadoras, criando colectivamente mundos alternativos e histórias. Acho que não há razão para que não possamos fazer o mesmo hoje em dia. Por isso aqui ficam algumas primeiras sugestões:

Peguem num livro de teatro, aconselho a colecção de livrinhos de teatro dos Artistas Unidos por serem livros pequenos, de fácil manuseamento, e por as peças da colecção serem curtas e às vezes com poucos actores. Peguemos no nº 1 da colecção com peças do autor italiano Spiro Scimone. Escolham a peça “A Festa”. Tem três actores. Óptima para fazer em família. Assegurem-se que as pessoas escolhidas têm um relativo à vontade a ler em voz alta. Distribuam as personagens entre si: um pai, uma mãe e um filho. Nada mais fácil. Escolham uma das pessoas para ler as indicações cénicas sempre que acharem necessário. Tirem fotocópias do texto ou, melhor, comprem três livros (são baratos, custam 5 euros cada, apenas). Sentem-se à volta de uma mesa e, sem pretensões de interpretação, comecem a ler em voz alta. Cada pessoa lê o texto da sua personagem. Preocupem-se em ler claramente o que está escrito. Tentem visualizar colectivamente o espaço onde se passa a acção – neste caso, a cozinha de uma casa.

Prossigam tentando cumprir as indicações cénicas que são meramente técnicas como “pausa” ou “silêncio”. Essas indicações podem parecer muito técnicas mas se forem executadas com rigor fazem com que a tensão entre as personagens ganhe espessura. Esta peça é boa para começar este trabalho porque as personagens nunca falam durante muito tempo e a situação dramática é clara.

Quando chegarem ao fim da peça, se a leitura foi fluente, terão vontade de a tornar a ler, para corrigir entoações, mudar ritmos nos diálogos, criar silêncios entre as falas das personagens. Nessa altura estarão a entrar no domínio do trabalho do actor e do encenador. É exactamente nesta altura que actor e o encenador começam o seu trabalho. Quando tornam a ler a peça. É aqui que todos os significados começam a saltar da página. É aqui que começamos a comover-nos e a ouvir os sentimentos e as cores, é por esta altura que não conseguimos andar na rua sem conseguirmos deixar de pensar nas personagens. É aqui que nos começam a entrar na carne. Talvez seja nesta altura que quem não quer mais que a leitura de uma história pode deixar de ler e passar a outra coisa. Mas pelo menos terá viajado colectivamente para um mundo diferente. As pessoas que leram, não o fizeram com um romance que normalmente é lido em silêncio por uma única pessoa, mas sim com uma peça de teatro que foi escrita de propósito para ser lida e vivida por várias ao mesmo tempo. A literatura dramática não é apenas para os profissionais de teatro mas sim por quem quer que queira viver uma experiência colectiva. Lembrem-se que o teatro é na sua essência imaginação colectiva. Se quisermos fazer um paralelismo simplista com o desporto, digamos que ler um romance é como jogar ténis (o prazer é individual) e ler uma peça de teatro é como jogar futebol ou vólei…

Se já possuírem alguma peça de teatro em casa, ou se gostarem em especial de alguma, tentem com ela, mas lembrem-se de que as peças com um grande número de actores obrigam a uma grande ginástica dos leitores porque será sempre difícil juntar treze ou catorze pessoas em casa. Comecem com coisas fáceis e vão lentamente adicionando novos elementos.
 


Mais um mês que se foi. Com o final do mês de maio chegam ao fim também as resenhas sobre jornalismo literário. E a quantidade de resenhas foi mais uma vez significativa. E para o encerramento deste mês, convidamos a leitora e blogueira Ana, que participou conosco desse desafio, para nos deixar um depoimento sobre como foi ler e resenhar obras do jornalismo literário. Além do depoimento ela compartilhou uma lista de obras interessantes sobre o gênero e alguns filmes também. Confere:

É com grande satisfação que aceitei a responsabilidade de escrever o texto de encerramento do DL de maio. Vou começar com duas definições de dois especialistas da área, sobre o que é um livro-reportagem.

Define o livro-reportagem como um produto cultural contemporâneo que de um lado, amplia o trabalho da imprensa cotidiana e, de outro, penetra em campos desprezados ou superficialmente tratados pelos veículos jornalísticos periódicos.[O que é livro reportagem - Edvaldo Pereira Lima]


Se a notícia é o relato de um fato de interesse jornalístico, a reportagem é a narrativa que aborda as origens, implicações e desdobramentos do fato, bem como apresenta os personagens envolvidos nele, humanizando-os [Livro-reportagem: Origens, conceitos e aplicações - Bruno Ravanelli Pessa]

Os autores mais conhecidos deste gênero no Brasil são:
Foto: Caco Barcellos e Ruy Castro


Caco Barcellos: Escreveu os livros "Rota 66", sobre a violência da policia paulistana que matavam sem dó e nem piedade jovens de periferia. "Abusado, o dono do morro Dona Marta", sobre o tráfico nos morros do Rio."Nicarágua: a Revolução das Crianças", sobre o movimento sandinista na Nicarágua.
Ruy Castro: trabalha com reportagem investigativa e depoimentos, principalmente sobre vida de grandes personalidades do futebol, teatro, cinema e literatura, ou seja, com a parte mais light do livro-reportagem.


Eu e meus livros-reportagem, não se assustem c/ a minha cara (depois de verem a do Caco (lindo!) é um atentado), meu cabelo é bagunçado pq tenho horror a chapinha e meus óculos não estão de cabeça para baixo, é o design dele mesmo, não tenho uma pinta acima do lábio superior, é um piercing. rsrs

Os dois livros que tenho deste gênero são: Notícias do Planalto- A imprensa e Fernando Collor, de Mario Sergio Conti, mostra nas suas 719 págs todo o poder de persuasão da mídia para eleger o Collor para presidente.
Terror e esperança na Palestina, do jornalista José Arbex Jr, foi o livro que escolhi para ler no Desafio deste mês.

O livro-reportagem pode abordar vários temas: denúncia, perfil, depoimento, relato, economia, ciência, tecnologia, saúde, meio-ambiente, história, atualidades, nova conciência. Sempre com intuito de aprofundar o conhecimento em determinados assuntos em que a sociedade não tem acesso com facilidade.


Assim como os livros-reportagem têm ganhado muito espaço nas livrarias, devido à curiosidade de um público específico que tem interesse em aprofundar seus conhecimentos em determinados assuntos, os filmes-reportagem ou documentários também estão fazendo muito sucesso, como por exemplo: "Big size me", Morgan Spurlock inventou de comer comida do Mac em todas as suas refeições, durante um mês para ver o que acontecia com sua saúde. Já Michael Moore fez vários documentários criticando a política norte-americana: Tiros em Columbine, SICKO (sobre o sistema de saúde dos EUA), Fahrenheit 11/09 (sobre 11 de setembro),Capitalism: A love story (sobre a crise financeira), Slacker Uprising (sobre as eleições presidenciais), entre outros. Al Gore, que foi candidato à presidência dos EUA, fez um documentário sobre o meio-ambiente intitulado "Uma verdade incoveniente". O comediante Bill Maher fez um documentário irônico sobre religião "Religulous". Um dos representantes brasileiros desta categoria é o João Jardim que fez "Lixo extraordinário" e "Amor?".

Espero que vocês tenham curtido o tema deste mês assim como eu curti, às vezes o livro-reportagem é polêmico, dolorido, deixa-nos um pouco deprê, mas abre a nossa mente para o que aconteceu e acontece, não podemos mudar o passado, mas podemos ter esclarecimentos para não cometer os mesmos erros no futuro. Agradeço a Dani pelo convite, adorei! Vocês podem me encontrar no blog, no twitter e no Facebook, não tenho Orkut e nem Tumblr!
Ana


Aproveita e confere a resenha que ela publicou para o desafio de maio:
E que comecem os trabalhos do mês de junho!


74 livros lidos em maio. Não é resultado desanimador. Para alguns participantes assíduos não foi possível seguir a agenda de maio. Mesmo assim se propuseram a entregar as resenhas sobre livro-reportagem durante os meses que se seguem. É assim que se faz, pessoal. Se por algum motivo não deu para cumprir o desafio do mês, bola pra frente. Entregue as resenhas depois ou dê continuidade às leituras dos temas em vigência. Mas, não interrompa a jornada no meio do caminho.  

Então vamos lá: O livro mais lido foi O livreiro de Cabul de Asne Seierstad. Houve impressões divergentes sobre o livro, mas predominou a percepção de que houve, de modo subliminar, imposição de discurso produzida talvez por uma visão parcial e unilateral da situação reportada no livro. Ainda com relação a isso, é interessante notar a possibilidade de conhecer dois discursos sobre o mesmo tema. Fica a dica: Eu sou o livreiro de Cabul de SHAH MUHAMMAD RAIS.



E então, quem leu mais esse mês, hein?

Shirlei - 6 livros lidos
Lyani - 4 livros lidos

* Se o nome de quem leu mais de três livros não aparecer na lista, por favor, avise-nos. Teremos o maior prazer em reparar o erro.


Resenha Junho 2011:
Tema: Peça teatral / Mês: Junho – opção 3
por Cleia (cleia.le@bol.com.br)

título: A TEMPESTADEautor: William Sheakespeare
tradudor: Beatriz Viegas Faria
editora: L&PM
páginas: 115 páginas
título original: The Tempest


Não creio que haja nada de novo a comentar sobre qualquer peça teatral escrita por Sheakespeare. Talvez algum estudioso de literatura, quem sabe... mas esse não é o meu caso. E a Internet está entupida de todo tipo de informação sobre a obra sheakespeariana.
A mim cabe apenas apreciar, me deleitar com mais uma maravilha deste autor, uma verdadeira entidade.  E repassar um resumo da história, particularmente interessante por mesclar com muito equilíbrio, drama e comédia para falar do tema mais recorrente em suas peças: o poder.
“A tempestade” foi encenada pela primeira vez em 1 de novembro de 1611, uma das últimas obras de William Shakespeare. Apesar da idade, continua atualíssima, com vitalidade total.
Próspero, um duque de Milão, possuía uma imensa biblioteca onde estudou magia e esqueceu de governar. Torna-se um sábio praticante de magia, mas tem seu lugar usurpado por seu irmão Antonio e se viu deportado para uma ilha deserta com sua filha Miranda, ainda criança. Próspero dominou a “dona” da ilha, uma bruxa, e escravizou seu filho (dela), Caliban. A serviço de Próspero ainda há Ariel, um anjo por ele libertado ao chegar à Ilha. Estes são os moradores da ilha  
Anos depois  (Miranda já uma jovem), Próspero provoca, fazendo uso de magia e com a ajuda de Ariel, uma falsa tempestade que faz naufragar a nau onde se encontra seu irmão, junto com o rei de Nápoles, seu filho e outros nobres. Não para que morram, mas para que venham parar na ilha e haja um acerto de contas.
A trama é o confronto entre seus moradores, especialmente Miranda e Caliban, que até então desconhecem outros seres humanos e toda a sua complexidade, e os náufragos que se vêem em situação limite – perdidos numa ilha desconhecida.
Além das intrigas e desencontros entre os nobres, é delicioso o romance do filho do rei de Nápoles com Miranda e a aventura de Caliban rumo ao conhecimento pelas trapalhadas junto com o despenseiro bêbado que salvou do naufrágio todo o vinho do navio e com Trínculo, um bobo da corte.
É mais uma história fabulosa de Shakespeare, reconhecida como sua obra-prima, cheia de simbolismo, arquétipos e mitos, que fala da essência do homem, sob a forma de um conto de fadas para adultos, ótima para quem está começando a se familiarizar com sua obra. Leitura  obrigatória.
Nota: 5/5
Nota da capa : 4/5 – A capa é boa, mas é uma figura um pouco banal, que não está à altura do conteúdo.