Por Fabiane Siqueira

Um presidiário decide contar sua historia para seu companheiro de cela, que está para ser libertado na manha seguinte, a historia é contada entre a Brisa e a Madrugada.

Contada sobre a ótica de ...., que foi “apadrinhado do Tio Rodrigo, colocado no “negócio” para cuidar de suas rinhas de galo.

Levava uma vida normal, no morro, já participando dos “esquemas, enquanto seu irmão, um cara totalmente contrário as escolhas suas , com esposa e filha foi morto covardemente e esse é o ponto de mudança da sua história.....decidiu vingar seu irmão, e com isso tornou-se fugitivo e matador. Foi preso depois de muito aprontar e pegou 5 anos, e topou com Tuti, camarada, que depois mais tarde apresentou ele ao Tio Rodrigo.

Trabalhar para Tio Rodrigo era um misto de alivio, pois o mercado de matar pessoas estava em crise e ele precisava de um pouco de “rotina”.
Tudo começou a mudar o dia que Tio Rodrigo apagou um dos parceiros com a desculpa de que ele era tira. O livro começa deste ponto desenrolar a verdadeira historia desse presidiário, que passa seus dias a procura de sua cunhada e sua sobrinha – afilhada.
O livro tem uma linguagem singular e é bem fácil de ser lido. Recomendo.

Maicon Tenfen é um escritor brasileiro nascido no dia 31 de dezembro de 1975 em Ituporanga, cidade localizada no interior de Santa Catarina. É conhecido pela publicação de contos e romances de grande intensidade e suspense, que costumam prender a atenção do leitor, bem como por seu trabalho na imprensa escrita, onde assina crônicas caracterizadas por bom humor, criticidade e ironia. Entre suas obras, destacam-se Um Cadáver na Banheira (romance), O Impostor (contos), Mistérios, mentiras e trovões (novela) e A Culpa é do Mordomo (crônicas).


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Por que ler os clássicos brasileiros 

CRISTOVÃO TEZZA

Publicado na Folha de São Paulo
Sessão Ilustrada
17/02/2008

Muito já se disse para defender a literatura brasileira e tentar quebrar a resistência que o próprio leitor parece sentir com relação a ela -pelas listas de best-sellers, percebemos de fato que há algo de estranho no reino das nossas letras.
E a defesa sempre parece ganhar um tom patriótico, repercutindo afinal nossa própria história literária, em que a questão da famigerada "identidade" tem sido freqüentemente um ponto de honra. Mas penso que podemos defender a literatura brasileira sem recorrer a álibis, observando apenas um ponto de partida -a língua portuguesa do Brasil, não como uma entidade oficial, mas como a linguagem que criou a forma da nossa visão de mundo, em toda a sua imensa variedade.

Do histórico pessoal e social da língua, não podemos nos livrar por escolha; a língua dirige nosso olhar, escolhe objetos e referências, estabelece relações, cria entonações, se multiplica em subentendidos e muitas vezes fala por nós. E, dentre todas as formas da língua, do padrão escolar aos mil dialetos populares da oralidade cotidiana, a literatura consolida um padrão de civilização, a passagem entre a liberdade da fala e a dureza da escrita; e, mais que isso, é o grande elo de ligação entre o indivíduo -esse desejo solitário de dizer, que é a alma da literatura- e a sociedade, a quem respondemos com nossa palavra.

Essa relação poderosa entre a nossa língua e o olhar que ela encerra, em estado de liberdade, pode ser encontrada na literatura brasileira com grande nitidez. Mais que isso, ela é a ponte que afinal pode nos tornar cidadãos do mundo. É um bom motivo para conhecê-la.

Dos 20 livros da "Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros", começo por lembrar a importância em minha formação pessoal dos poemas de Carlos Drummond de Andrade, versos que ressoam até hoje como formas insubstituíveis de reconhecimento do mundo, na minha língua.

Lugar das diferenças

A percepção da realidade pela voz de seus poemas criou um sistema de referências que nenhuma outra forma da linguagem -todas utilitárias, a serviço de algum objetivo imediato- seria capaz de dar. Em seguida, a leitura da prosa de Graciliano Ramos me abriu outro universo. A sua frase curta e seca, falando de um mundo a um tempo terrível e próximo, avançava como que desmontando as coisas que eu via pelos olhos dele.

Quase ao mesmo tempo, entrei nos textos de Machado de Assis para descobrir também naquela linguagem o que de fato me interessava na literatura, o ponto de confluência mental entre língua, indivíduo e sociedade, em que as formas da nossa sensibilidade são postas à prova página a página. Um bom texto literário não é apenas um sistema de referências descritivas, abstrato e redutível a um código -é uma voz pessoal que tem algo urgente a nos dizer, usando a nossa palavra.
Com Drummond, Graciliano e Machado, aprendi fundamentalmente um modo de olhar o mundo, de perceber suas relações e sentir seus valores; eles sugeriam sutilmente quem eu era e onde eu estava. E com eles descobri e consolidei minha linguagem pessoal.

Mas, é claro, como a literatura é o território das diferenças, ela revela milhares de modos de ver -cada bom escritor tem sua marca inconfundível, apresenta um repertório novo de referências e nos propõe um ângulo do olhar.

No caso da literatura brasileira, com um detalhe fundamental: usando substancialmente as palavras, entonações, sentidos e frases que deram forma à nossa cabeça, desde a aquisição da linguagem (considerando, também, a passagem nem sempre tranqüila ao mundo da escrita).

Exótico, épico e sensual

Para escolher, graduar e até mesmo negar, é preciso conhecer. A literatura brasileira nos dá muitas chaves para pensar nosso espaço e nossa vida. Com autores como Jorge Amado e Erico Verissimo, grandes narradores do Brasil do século 20, entramos em contato com concepções de mundo, de linguagem e de país cuja influência continua ressoando no nosso imaginário. O Brasil exótico e sensual e o Brasil épico se entrelaçam nesses autores e continuam a nos colocar questões importantes hoje, quando nosso perfil rural já não é o mesmo de 50 anos atrás.

E um autor como Guimarães Rosa acrescenta elementos mágicos e místicos, dando à sabedoria popular uma inesperada transcendência, pela força transfiguradora da linguagem. O apelo regional tem sido, aliás, fonte permanente de nossa narrativa -"Memorial de Maria Moura", de Rachel de Queiroz, que integra a coleção, é um belo exemplo. Em outra chave, o clássico "Macunaíma", de Mario de Andrade, o herói sem nenhum caráter, continua a nos desafiar com a sua proposta poética de uma identidade brasileira.

O charme do exotismo, um eterno canto de sereia, às vezes encontra seus inimigos ferozes pela voz da sátira. Autores tão díspares como Lima Barreto (e seu maravilhoso "Triste Fim de Policarpo Quaresma") e Oswald de Andrade (com o demolidor "O Rei da Vela") batem frontalmente na ilusão do nosso berço esplêndido. A voz da imagem do povo encontra ressonância no teatro de Ariano Suassuna ("Auto da Compadecida") e na poesia dramática de João Cabral de Melo Neto -em "Morte e Vida Severina", a dura lapidação formal do grande poeta encontra-se com o apelo popular.

Ainda no teatro, o clássico "Vestido de Noiva" inaugura outra desmontagem radical do homem brasileiro: mais que ninguém, Nelson Rodrigues entendeu que não somos santos. O lirismo, representado na coleção em versos e crônicas, estabelece um parentesco sutil que começa com o pernambucano Manuel Bandeira, passa pelo carioca Vinicius de Moraes e vai até o gaúcho Mario Quintana; o "Romanceiro da Inconfidência", de Cecília Meireles, recria com traços épicos emblemas da nossa história.

E o "Poema Sujo", de Ferreira Gullar, é uma síntese contemporânea de nossas múltiplas vertentes poéticas. Finalmente, dos prosadores urbanos mais recentes, dois momentos políticos fundamentais da nossa história estão representados na "Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros" -"Agosto", de Rubem Fonseca, tematizando o suicídio de Vargas, e "Reflexos do Baile", de Antonio Callado, retomando as complexas ramificações do golpe de 1964.


Tocando em frente porque hoje é dia de sorteio, pessoal.

Como sempre, vale agradecer aos nossos parceiros Editora Univali, Dani Haendchen e Cristina Tronco. Sem eles, o DL perderia esse agito bacana de premiação a que os nossos empenhados participantes tem feito por merecer.

Vamos aos trabalhos, então! O sorteio de hoje vale:


- Um livro cedido pela Editora Univali.



Sinopse:
Este livro relata as relações sociais da cidade de Itajaí - SC, nas décadas de 30 e 50. Período do "Bloco dos XX", em que o glamour das festas, a constituição de gêneros, e as inclusões e exclusões caracterizam um tecido social. Trata-se de uma narrativa histórica, respaldada em forte suporte bibliográfico, além de jornais da época, documentos, fotos e entrevistas.


- 01 Marcador de página personalizado pela Danizinha.



O ganhador escolherá um dos 6 modelos dispostos acima. Lindos, não?

- 01 conjunto de três belos marcadores feitos pela Cristina Tronco do Atelier da Tininha.

Imagem ilustrativa. O modelo e as cores dos marcadores serão escolhidos por Cristina.


E agora, vamos à divulgação do resultado do sorteio. E o número sorteado foi...





 Aline Gomes, é pra você, garotinha! Parabéns! Entre em contato conosco via
desafioliterario[arroba]gmail[ponto]com e informe-nos o modelo de marcador de sua preferência. (Marcador Personalizado da Danizinha)

* O sorteio realizado é referente ao tema Novos Autores. Veja o rol de participantes da rodada aqui: http://desafioliterariobyrg.blogspot.com/2011/07/resenhas-de-julho-autolink-novos.html

Até o próximo sorteio, pessoal!


Olá pessoal. O Desafio Literário encerra mais um mês de muitas leituras e cheio de novos autores. O mês de julho chegou ao fim e com ele o nosso tradicional texto de participante para contar o que achou do DL do mês e como foi a experiência. Para encerrar esse mês convidamos a blogueira Karol Albuquerque do blog Literatura Pop para dar seu depoimento. Confere aí:

O tema desse mês do DL foi um dos que me deu mais dificuldade para escolher quais livros eu leria. Eu sou aquele tipo de leitora meio bitolada, que está sempre lendo os mesmos autores e quando abro minha cabeça para livros novos é porque estes vieram muito bem recomendados. A partir daí vocês podem imaginar que para escolher um novo autor eu teria uma "ligeira" dificuldade. E tive mesmo. Acabei optando pela Flávia Muniz e o seu "Os Noturnos", pequenininho, levezinho, indolor (ok, eu escolhi outros dois, mas eu não os li - shame on me).

Acompanhei algumas resenhas no DL esse mês e, confesso, sempre me interesso mais pelas que comentam livros que eu já li, seja ou não no desafio. Eu gosto de ver o que as pessoas estão falando, se tem a mesma opinião que eu ou se divergem, gosto de descobrir outros blogs semelhantes e notar que alguns tem aquele "quê" a mais enquanto outros tem um "xis" a menos e assim vai. A troca de informações proporcionada pelo DL é um verdadeiro alimento mental, com muitas sugestões, elogios e, às vezes, algumas críticas.

O negócio é que, eu até tento falar que não, fazer a legal e sem preconceitos, mas não adianta: sofro todas as vezes que tenho que ler um autor desconhecido e se for novo e ninguém nunca tiver me recomendado é pior ainda. Acho que isso é até que meio cultural, a humanidade como um todo (olha o drama) tem reservas em relação a novidades ou coisas desconhecidas. Essa é uma máxima que aplicamos inconscientemente mas que, se formos prestar atenção, é predominante. A sensação de frio na barriga pode até ser uma delícia, mas continua sendo fria.

Entretanto, o tema desse mês foi muito válido - talvez o mais proveitoso até então - por mostrar aos leitores-blogueiros, nós, que fazemos a maior parte da divulgação literária na Internet que há outros autores além daquele grupinho de sempre que todos leem. Eu canso de visitar blogs por aí e ver que estão quase todos lendo sempre os mesmos livros, dos mesmos autores e achando as mesmas coisas de todos eles. Essa lufada de novos autores provocada pelo Desafio Literário nos faz respirar uma variedade maior, um leque maior de opiniões e, principalmente, um leque maior de resenhas de verdade, com variação.

Enfim, tudo que hoje é antigo e conhecido, um dia foi novo e desconhecido. Fico grata pela oportunidade de abrir - forçosamente, admito - a minha cabeça para a nova geração, para autores que merecem atenção e, em especial, autores da nossa literatura brazuca, que muitas vezes é menosprezada mas nem por isso perde sua qualidade. Posso não ler tantos novos autores assim, mas se mantiver a cabeça e os olhos atentos, vou perceber que aos poucos a surgirão novos Monteiros Lobatos, Jorges Amados, Paulos Coelhos, Pedros Bandeiras ou mesmo assistir à ascensão de tanta gente boa como André Vianco, Raphael Draccon, Thalita Rebouças, Eduardo Spohr e outros que são desconhecidos mas um dia chegarão lá. A mão de obra está aí para ser garimpada. Fica a nosso critério enxergar ou não se o esforço vale a pena!
 E confere a leitura da Karol para o DL de julho:


Galera, estamos quase chegando lá, na reta final de um desafio repleto de descobertas e achados. Olhando para trás, dá gosto de ver o caminho percorrido. Ao ler as resenhas de todos, é gratificante saber o que viram e o que aprenderam ao caminhar. Lógico que não é um percurso sem atropelos. As barreiras se interpõem, mas a maioria tem tirado de letra. Diante de um livro difícil de encontrar ali, escassez de dinheiro para aquisição de livros aqui, falta de tempo, um livro de cujo enredo não gostamos e etc e tal, o importante é que nada disso tornou-se preponderante sobre o prazer de ler. Obrigada, pois são um exemplo de que a leitura precisa ser conquistada. Sem esforço, não se lê. Então, prossigamos lendo.

Nessa rodada, lemos um total de 66 livros. O livro mais lido  foi Os noturnos de Flavia Muniz. Na cola veio A batalha do Apocalipse de Eduardo Spohr.

 


E os leitores vorazes das rodada foram:

Shirlei - 6 livros

Li Castro - 5 livros

Lyani - 5 livros

Aline Gomes - 4 livros

Ligia Barros - 4 livros

Maria Eduarda - 4 livros

Marília Barros - 4 livros

Resultado final: Clube de leitura da Luluzinha. Boa, meninas!

Se o nome de quem leu mais de três livros não aparecer na lista, ou se houver algum outro erro no cômputo, por favor, avise-nos. Teremos o maior prazer em reparar o erro.