Por Adriana Moreira - Julieta (livro 1)

O livro conta a história das gêmeas Julie e Janice Jacobs, que após o falecimento de sua tia Rose, descobrem se chamar Giulietta e Giannozza Tolomei. Julie recebe uma carta escrita pela tia com informações sobre um possível tesouro deixado pelos pais e assim, embarca rumo a Siena (Itália), com a ajuda do mordomo Umberto.

Ainda no aeroporto Julie conhece a ricaça Eva Maria que se mostra amiga e resolve ajuda-la na sua viagem e estadia em Siena. A ricaça é da família Salimbeni, rival da família Tolomei. Através dela, Julie conhece Alessandro, afilhado da Eva Maria. E assim, fica claro que eles não se tornaram grandes amigos.

Chegando em Siena, Julie se dirige ao banco onde sua mãe possuía um cofre. Para grande decepção de Julie, no cofre não se encontra uma grande herança conforme informado na carta deixada pela tia falecida, mas sim, uma caixinha de madeira com papéis e outros objetos não muito valiosos. A partir daí, Julie segue uma aventura descobrindo coisas sobre sua família e  si mesma. Apaixonada pela obra de Shakespeare, encanta-se ao descobrir que a história de Romeu Montecchio e Julieta Capuleto, na verdade ocorreu em Siena de 1340, com Romeu Marescotti e Giuletta Tolomei.

O livro é escrito alternando o passado e o presente. A escrita é fácil e depois de começar a ler é impossível largar. Me apaixonei pela capa do livro desde a primeira vez em que vi na livraria, mas, confesso que tive certo receio em começar a leitura, uma vez que não sou apaixonada pelas obras de Shakespeare. Desta forma, comecei a leitura desanimada e já imaginando o que vinha pela frente. Mas, amei e recomendo a leitura.


DL2012
FEVEREIRO – NOME PRÓPRIO (DE PESSOAS)
 Por Camila Jasmin Martins
Woyzeck
 George Buchner


(Livro 2)

Já conhecia a história Woyzeck por ter assistido à peça sobre ele apresentada pelo grupo de teatro do curso de artes cênicas da minha faculdade. Não fui assistir muito animada, afinal o objetivo era fazer um trabalho e isso quebra um pouquinho a empolgação, né!? Mas, no fim das contas, eu me apaixonei pela peça (que, aliás, foi muito bem representada pelo grupo de teatro, os atores foram ótimos - inclusive o Woyzeck, que no caso era uma atriz, a música, o cenário, a iluminação, tudo muito bom. Esse link é tipo um trailer, só pra dar um gostinho: http://www.youtube.com/watch?v=zBIqh8zVkCI). Então, esse foi o primeiro título que veio a minha mente quando me deparei com o tema de fevereiro. 

Confesso que livros em formato de peça me dão um pouco de preguiça, mas estou aprendendo, tanto que li Woyzeck até com certa facilidade. Não é um livro bonito ou gostosinho, é um livro triste e pesado. Perturbador, acho que seria uma boa descrição. Mas o homem louco acaba te conquistando. A dor dele é tão pura que é impossível não sentir por ele. Além do mais, o fato de não conseguirmos encontrar um motivo visível para o sofrimento dele nos faz questionar a solidez de nosso próprio destino. Em resumo, Woyzeck é sobre isso. Uma peça sobre a inconstância e inexplicabilidade das questões do destino, que acaba colocando minhocas na cabeça do leitor - ou espectador - "E se a gente cai?" "No abismo".  


DL2012
FEVEREIRO – NOME PRÓPRIO (DE PESSOAS)

Por Camila Jasmin Martin

Alice
Lewis Carroll

O charmosa edição da editora Zahar uniu os dois clássicos escritos por Lewis Carroll Aventuras de Alice no país das maravilhas e Através do espelho e o que Alice encontrou por lá e, ainda, as ilustrações originais de John Tenniel. Os desenhos são nitidamente a base da Disney para a produção da versão de Alice em desenho animado e, em algumas gravuras de Através do espelho observamos até alguns “esboços” de Tim Burton.

Alice é um daqueles livros infantis que não são absolutamente infantis de fato (como o O Pequeno Príncipe e As Crônicas de Nárnia, na minha opinião). A narrativa é simples e despretensiosa, os personagens são as criaturas mais absurdas e fantásticas e a cada capítulo você se sente mais envolvido com a estória. Quem nunca sonhou pisar em um lugar onde o sentido fosse absolutamente dispensável? Lewis nos leva a um lugar onde qualquer lado que você olhe faça a sua cabeça girar ou os seus olhos se arregalarem ou os dois. Um sonho que pode se tornar um pesadelo, mas não se torna, pois a cada pisada em falso ou novidade mais assombrosa é descoberta a magnífica coragem que ninguém imagina ter.

Não sei se era o que Lewis queria dizer, mas a impressão que me causou foi que da mesma maneira que Alice se deparava o tempo todo com absurdos sendo considerados normais nós mesmos devemos compreender que a normalidade é na verdade o maior dos absurdos. A dificuldade da pequena personagem em se adaptar à um mundo que é maravilhoso por ser diferente é a mesma que encaramos quando nos deparamos à uma cultura diferente da nossa, dentre as milhares que existem em nosso próprio mundo maravilhoso.

Além disso, a certeza de sermos todos loucos – e eu sempre tive essa certeza – é algo confortador quando se vive em uma sociedade que procura a “normalidade” em cada canto de nós e de nossas ações. A loucura é o estado normal do ser humano e tentar subtrai-la de nós é o ato mais tolo que podemos praticar. Alice sabia isso. E você? Sabe? 


Para inscrever-se é preciso preencher o formulário a seguir: 


Feita a inscrição:

1. Leia 

2. Resenhe  

3.  E publique no autolink.

NÃO espere a confirmação de inscrição ser enviada para começar a ler.  REPITO:  aguarde a confirmação lendo e resenhando.

A intenção do Desafio Literário é  incluir e não excluir, portanto ninguém que tenha feito a inscrição corretamente, via formulário, será esquecido ou eliminado do DL.  Afinal, a escolha de permanecer ou sair do desafio é e sempre foi do participante, e não nossa.

E não se esqueçam de ler o regulamento. Muitas das perguntas que nos são feitas estão explicadas lá, portanto, basta ler com atenção.


Boa leitura!



Encerrando de vez o DL 2011, conforme o prometido, vamos sortear os kits da premiação final para os participantes classificados na categoria Leitor Ouro, Prata e Bronze. Sem mais delongas, vamos ao anúncio dos contemplados:

Na categoria Bronze: Tati Lopatiuk ganhou  um pocket-book  + marcador de livro.



Na categoria Prata: Karolina Albuquerque ganhou um livro + marcador de livro

 

Na categoria Ouro: Lyani ganhou um livro (lançamento do ano) + um pocket-book + marcador de livro.


 

Parabéns aos contemplados e a todos que se destacaram em nosso empreitada de leitura do ano passado.

PS¹ - A sequência observada para o sorteio dos numeros segue a ordem apresentada nesse post: http://desafioliterariobyrg.blogspot.com/2012/01/sobre-premiacao-final.html
 
PS² -  Os títulos do livros que compõem os kits estão sendo definidos.






Restaurante situado na Cracóvia (via http://atuante.blogspot.com/2010/01/eat-first-read-later.html)



Literatura Gastronômica - mês dedicado ao sabor da leitura. Afinal, leitura sem gosto não tem a menor graça. Em razão disso, propomos um tema leve, divertido e saboroso; sejam em forma de crônicas, poesias, romances, diários, biografia, memórias e demais gêneros que versem sobre a temática da comida.  ATENÇÃO: Livros contendo apenas receitas não valem.




O autolink está fechado, pois, como sabem, estamos trabalhando no encerramento do tema de janeiro e na abertura do tema de fevereiro. Sendo assim, as resenhas referentes ao tema Literatura Gastronômica deverão, a partir de agora, ser enviadas para o email desafioliterario[arroba]gmail[ponto]com.  E não se preocupem, nós as publicaremos no autolink a partir do dia 03/02/2012. Contamos com a compreensão de todos.


Atenção! O formulário pode aparecer aberto quando visualizado por intermédio da categoria "Resenhas - DL 2012". No entanto, no Simply Linked, o formulário está fechado. Desse modo, qualquer inclusão de resenhas no autolink não será concluída. Portanto, siga a regra: resenhas atrasadas devem ser enviadas para o email do Desafio Literário.

Mais sobre a imagem: Intitulada EAT FIRST, READ Later, essa é uma adaptação culinária do original Bookworm de Carl Spitzweg.


O Desafio Literário de 2011 saiu melhor do que esperado. Com intuito de melhorar a qualidade da leitura,  empreendemos uma mudança significativa nos temas do ano. Temas pouco familiares, densos, alguns quase herméticos exigindo uma leitura atenta e mais vagarosa. Tão contrário à instantaneidade  do universo midiático contemporâneo em que vivemos! Mesmo assim, apesar das dificuldades  e resistências, para os que toparam o desafio, foi fichinha. E olha que não foi um desafio fraco, não. Passamos por clássicos, épicos e, quem diria, jornalismo literário. E quer saber do que mais? Modéstia à parte, mas sem motivos para esnobismos, graduamos na leitura de gêneros diversos. Daniel Piza que, infelizmente nos deixou recentemente e tão cedo, evidenciou tão bem a essência de uma boa leitura que vale tomar nota:

O bom leitor não dá preferência a um gênero. Ficção é importante e inclui contos, poemas, peças. Mas, sobretudo num mundo tão inundado de ficção em todas as suas formas (incluindo filmes publicitários), não convém ler muita ficção. Ensaios sobre os mais diversos assuntos, como  arte e ciência, e livros de história e pensamento, indo de artigos a biografias, podem ser decisivos. O bom leitor gosta também de cartas, diários, aforismos, memórias - ciente de que boas idéias podem aparecer em qualquer formato e algumas linhas. Já o interesse por diversos assuntos não o impede de se deixar levar por uma fase em que lê "tudo" de um autor ou tema. (O Estado de São Paulo - 11 de abril de 2004)

Reconhecem o caminho? Basicamente o percurso que nós fizemos. O da variedade, para todos os gostos e...desgostos. É tão a cara do Desafio Literário. Pois o esforço se resume em evitar a zona de conforto que, muitas das vezes, tolda a mente e cauteriza a consciência. E ainda aludindo ao Piza, se resume em criar meios para "resistir a palermização vigente". Sim, ainda há vários degraus a alcançar, pois o caminho assim como a exploração dele é inesgotável. E é nesse espírito, espero, que sigamos rumo ao DL 2012. Vambora ler!


Quero ainda usar esse espaço para agradecer. A todos os que participaram da gincana. Especialmente para as queridas que vestiram a camisa do DL, e dispenderam voluntariamente de parte do seu tempo para tornar a brincadeira mais divertida, são elas:

Cristina Tronco, com  seus préstimos e mimos coroados de muito talento. 

Daniela Haendchen, pela solicitude e desprendimento e o talento empregado em prol de nosso desafio.

Daniela Soares, sempre presente quando preciso. Ao lado da Dani Haendchen, tornou-se figura fundamental no Desafio Literário.

Lia Freitas que, mesmo tendo de deixar a equipe DL por razões particulares bem fundamentadas, demonstrou empenho na elaboração de nosso Quiz Literário.

Agradecimentos efusivos também à Editora Univali por ter estado presente ao longo de todo o desafio. Aos leitores que não só abrilhantaram a nossa sessão de encerramento, mas deram dicas de leituras pra lá de bacanas:  Mi Mülller, Luma Kimura, Ana Oliveira, Mônica Carneiro, Karol Albuquerque, Dani Neves e Shirlei Melo. E aos escritores e entusiastas dos nichos literários que escolhemos ler por aqui: Fátima Silva, Regina Echeverria, Cris Lasaitis, Kézia Lôbo, Raphael Jonatham de O Soares, Pedro Marques e Bruna Longobucco.  

È isso. Mas não só. O DL continua...


Conforme divulgado no regulamento do Desafio Literário 2011,  há o prêmio final a ser distribuído entre os que leram 12 livros (leitor Bronze), os que leram  entre 12 e 24 livros (Leitor Prata), e por fim, entre os que leram 24 livros ou mais (Leitor Ouro) durante o ano. Segue, então, a lista dos candidatos aos prêmios Leitor Ouro, Leitor Prata e Leitor Bronze:

Leitor Ouro:
  1. Aline Gomes - 31 Livros
  2. Daniela Soares - 25 Livros
  3. Letícia Guedes -  30 Livros
  4. Li Castro - 57 Livros
  5. Ligia Barros - 30 Livros
  6. Lizzie - 26 Livros
  7. Luciana Darce - 35 Livros
  8. Luma Kimura - 31 Livros
  9. Lyani - 54 Livros
  10. Marília Barros - 35 Livros
  11. Natallie - 24 Livros
  12. Neiriberto - 27 Livros
  13. Elaphar - 26 Livros
  14. Shirlei - 76 Livros
  15. Vivi Ferreira - 26 Livros

Leitor Prata:
  1. Ana Oliveira - 16 Livros
  2. Annie Adelinne - 16 Livros
  3. Cíntia Mara - 15 Livros
  4.  Elisandra Eccher - 16 Livros
  5. Isis Silva - 14 Livros
  6. Karolina Albuquerque- 13 Livros
  7. Luciana Mara - 14 Livros
  8. Lu Naomi - 19 Livros
  9. Lu Monte - 15 Livros
  10. Marcia Sarmento - 13 Livros
  11. Maria Rafaela Marinho- 15 Livros
  12. Medéia - 16 Livros
  13. Mi Mülller - 13 Livros
  14. Mônica Carneiro - 19 Livros
  15. Roberta Cristina - 22 Livros
  16. Yuli - 13 Livros
Leitor Bronze
  1. Maria Eduarda Perrud - 12 Livros
  2. Tati Lopatiuk - 12 Livros
No entanto, o sorteio será feito somente na próxima terça-feira (10/01/2012). Explico: para que haja um sorteio justo para todos os envolvidos, pedimos a cada um dos inscritos na lista acima que verifiquem se o cômputo corresponde fielmente a quantidade de leituras que fizeram para o desafio. Também é possível que haja quem esteja de fora da lista por ter deixado de publicar as resenhas via autolink, entre outros motivos. Sendo assim,  daremos o prazo até o dia 09/01/2012 (Segunda-feira) para aqueles que quiserem  solicitar a revisão da contagem de leituras. Para tanto, entre contato conosco: desafioliterario[arroba]gmail[ponto]com.  

Até lá! 


Para contemplar os participantes do Mês, segue o nosso sorteio habitual (Vale lembrar que não é o sorteio do prêmio final. Esse ainda vai acontecer. Aguardem!)

Antes, um aviso: Para os contemplados de sorteios passados que ainda não receberam os brindes, aguardem pois eles serão enviados. Quaisquer dúvidas, contate-nos via email.

Vamos aos brindes de dezembro. Para começar, Pirajá, de Cláudio Bersi Souza, livro cedido pela Editora Univali


Pirajá narra a história de seu protagonista homônimo, um andarilho que empreende uma caminhada pelos rumos a que a vida o desafia. Segundo seu autor, “Pirajá foi criado como representantes de uma classe que vive à margem da vida, vagando errante pelo mundo por motivos diversos”.

Dados Adicionais

ISBN: 9788586447334
Edição: 1
Peso: 0
Nº Paginas: 163
Formato: 14x20
Ano Edição: 2000




Neiriberto Borges, parabéns e obrigada por ter participado do desafio e, especialmente, dessa rodada!  

Entre em contato conosco via desafioliterario[arroba]gmail[ponto]com. (Informe-nos o modelo de marcador de sua preferência. (Marcador Personalizado da Danizinha)

* O sorteio realizado é referente ao tema Lançamentos do Ano. Veja o rol de participantes da rodada aqui: http://desafioliterariobyrg.blogspot.com/2011/12/resenhas-autolink-tema-lancamentos-do.html
  

Editora Univali, Dani Haendchen e Cristina Tronco, obrigada, obrigada e obrigada  pela  contribuição mais que valiosa.


O Desafio 2011 chega ao fim com uma participação expressiva. Sinal de que fechamos o ano bem e com entusiasmo. O tema Lançamentos do Ano abriu espaço para a diversidade na escolha de leitura. Para quem quiser conferir, a variedade de autores, livros e gêneros apresentados em dezembro de 2011 é só seguir o link: http://desafioliterariobyrg.blogspot.com/2011/12/resenhas-autolink-tema-lancamentos-do.html

O livro mais lido da rodada foi disparado Um dia, de David Nicholls. Seguido de Ratos, de Gordon ReeceQuarto, de Emma Donoghue

Dentre os leitores destaque do mês, citamos:
Shirlei - 20 Livros
Vivi Ferreira - 9 Livros
Marília Barros - 6 Livros
Aline Gomes - 5 Livros
Isis Silva - 5 Livros
Ligia Barros - 5 Livros 
Li Castro - 4 Livros
Lyani - 4 Livros


Se o nome de quem leu mais de três livros não aparecer na lista, ou se houver algum outro erro no cômputo, por favor, avise-nos. Teremos o maior prazer em reparar o erro.




meu nome é Aline Souza Vieira Perozo, o livro escolhido para o mes de janeiro foi A mesa voadora, de Luis Verissimo.

Bom, preciso confessar que nunca fz uma resenha, e está muito dificil de escrever,pois o livro é em cronicas (47), com assunto de gastronomia,viagens,curiosidades e fatos engraçadíssimos e outros emocionantes.Tudo escrito de uma forma simples e reflexiva.

Adorei o livro, gosto muito do  Verissimo, e fiquei com agua na boca quando terminava cada cronica.

Recomendo a todos que querem dar boas risadas, e relaxar um pouco. É um livro leve, facil de ler.
 


Resenha escrita por Sueli Couto
(Tema Jan/2012: Literatura Gastronômica)

A segunda leitura do Desafio Literário de 2012 foi A Mesa Voadora - Luís Fernando Veríssimo, e a escolhi por apreciar muito o autor.

Com o seu habitual bom humor, leve, divertido, irônico, Veríssimo insere neste livro crônicas escritas em épocas diversas: são divertidas, de leitura agradável, fácil e apetitosa, desde conselhos de como portar-se em um buffet, passando por criticas a fast food, rebelião contra a salsinha, um champignon despertando uma paixão, o amor à sopa, a procura pelo bar perfeito e outros elementos, fazendo um divertido paradoxo com circunstâncias da vida real.

Suas crônicas saciam o apetite pelo riso fácil e descompromissado, e provocam a avidez por mais leitura.

Das crônicas, destaco Buffet, muita divertida, entretendo o leitor com bem elaborada e divertidas descrição desta invenção da vida moderna, narrando o que se assemelha a uma estratégia de guerra para saciar, nem sempre com elegância, como deveria ser, a fome. A crônica termina por ser uma aula de estratégia para cumprir um objetivo gustativo e de como sair de um buffet bem alimentado e sem grandes danos físicos. Hilário.

Destaco também Com champignon, onde a paixão comum por champignon une um casal durante as compras que vão se conhecendo entre prateleiras de sopas, queijos e vinhos, atingindo o clímax quando trocam receitas com o ingrediente pelo qual são apaixonados e por causa do qual se apaixonam: o champignon.

O Come e não engorda, que retrata um bom gourmet que pode se perder nas maravilhas culinárias sem acrescentar uma grama ao seu peso, e que desperta em todos a inveja e ódio eternos.
La petite já é meio exagerada ao narrar como o tradicional “churrasquinho” para aproximar familiares e amigos se tornou um restrito evento em razão do preço da carne. Mas o humor de Veríssimo e sua capacidade de estabelecer uma relação entre o ser humano e a comida, como se este fosse o único vínculo importante no universo todo, atenua qualquer exagero.

Em Às sopas, a mesma pode ser uma renegada por quem não é fã, mas a leitura não deixa de ser saborosa.

Enfim, as 47 crônicas gastronômicas de Veríssimo refletem não só o conhecimento culinário deste grande escritor e sua experiência em finos restaurantes franceses ou pastelarias de beira de estrada, como sua enorme capacidade de estabelecer um vínculo indissolúvel do ser humano com a comida.
Diz Verissimo que: “Só entendo de comida da boca pra dentro!’ Mas entende muito bem de bom humor pois consegue vincular o cotidiano do ser humano, e todas as suas emoções, valores e sentimentos a uma frugal ou lauta refeição.


Resenha escrita por Sueli Couto
(Tema Jan/2012 - Literatura Gastronômica)
 
A minha primeira leitura do Desafio Literário de 2012 foi Escoffier - O Rei dos Chefs.  Escolhi este livro pois não havia lido nenhum com este tema. Resolvi que teria que ler algo sério e idôneo como deve ser uma biografia, considerando, também, seu lançamento por uma escola credenciada em gastronomia como é o SENAC.

Embora goste muito de ler sobre a história da vida real das pessoas, achei a leitura de suas 480 páginas um pouco cansativa, mesmo com sua redação bem elaborada, principalmente pelo fato de conter muitos nomes e datas. Por fim,  percebi que o autor perdeu fio da meada em algumas partes.

Nesta biografia Kenneth James nos apresenta August Escoffier, que nasceu em 28 de outubro de 1846, cresceu em circunstâncias financeiras confortáveis, freqüentando a escola até os 13 anos. Mostrou-se atraído pelas belas artes e disposto a se tornar pintor ou escultor. Em 1859 após receber sua 1ª comunhão, o pai de Escofier lhe afirmou que seria cozinheiro, não lhe restando alternativa, a não ser consentir em obedecer e iniciou como aprendiz de cozinheiro de um tio. Foram anos difíceis, mas a determinação o levou a perceber a importância da culinária e do papel que um cozinheiro poderia desempenhar na vida e na sociedade.

Embora no início ele não tenha almejado ingressar nessa profissão, trabalhou de forma a se destacar sobre os profissionais, conquistando o prestígio do chefe de cozinha ao qual estava subordinado. Era ambicioso, confiante em suas habilidades e sabia o que queria fazer.
A obra pouco retrata a vida pessoal, incluindo a família e os amigos de Escoffier, dando ênfase a assuntos ligados a seus trabalhos.

Antes dos 18 anos, Escoffier foi trabalhar no restaurante de Freres Provençaux; no inverno seguinte foi trabalhar no Chez Philippe, restaurante Du Petit Moulin em Paris, onde ostentava o orgulho de conhecer pessoas tão distintas como lords, reis, imperadores, políticos e figuras públicas.
Em setembro de 1886 foi convocado para o serviço militar na categoria de reserva do serviço ativo trabalhando como cozinheiro e mesmo sob fogo cerrado August se esforçou para preservar seus padrões culinários.

A receita "Pêssegos Melba" é uma das mais conhecidas de Escoffier mas há uma infinidade de interferências suas, que foram assimiladas pelas cozinhas ocidentais da França, Europa, EUA e que chegaram até nós.

Escoffier trabalhou durante 75 anos e é, ainda hoje, referência máxima da gastronomia francesa, um homem de grande distinção, festejado, condecorado e até reverenciado. No seu mundo de atuação, poucas pessoas exerceram, em vida, tanta influência como ele e, após a morte, foi tão lembrado como um cozinheiro distinto e talentoso.

August Escoffier faleceu em Monte Carlo com 89 anos, deixando um magnífico legado e testemunho para o mundo da gastronomia, não só francesa como mundial, por ter revolucionado os métodos tradicionais da culinária francesa.

Kenneth James fala das origens de August Escoffier, sua formação, seus amores, suas receitas, sua disciplina rígida e excelente educação, sua paixão pelo café, molhos, lagosta, as influências e a relação profissional com César Ritz, fundador das cadeias de hotéis Carlton-Ritz. 


Resenha escrita por Ivaíze Ferreira

Um texto em forma de diário, que narra as aventuras de um grupo de adolescentes rumo a uma semana de férias, numa casa de praia. Viagem feita somente por mar. Mas, a rota do grupo é desviada. Seu barco se espatifa numa ilha deserta, no litoral norte de São Paulo. Ilha onde vagam assombrações, que fora reduto de leprosos e abrigara uma penitenciária de hospedes de grande periculosidade. Mas, dentro desse contexto, o grupo consegue abrigo em uma casa que, embora suja e abandonada, ainda lhe dá condições básicas de sobrevivência. É, então, nesse cenário, orientados por um pequeno livro de culinária, trazido por Ju, personagem que narra toda a aventura do grupo na 1ª pessoa, que os heróis passam uma semana entre bichos, suspense e aventuras, criando e recriando receitas para alimentar a si mesmos, para compartilhar com os espíritos que assombram a ilha e, até mesmo, para espantar o próprio medo.

Obra de Viviane Ka, Editora Angra: O Grande Livro da Comida: Perdidos na Ilha entre o Terror e o Fogão, reúne 110 páginas, onde nos são servidas receitas que agradam ao mais exigente paladar, acompanhadas de muito susto e aventura.


Resenha escrita por Sueli Couto
Tema  Jan/2012 - Literatura Gastronômica


Mais uma obra de Veríssimo, em que a gastronomia está na berlinda. O genial escritor consegue, desta feita, com humor refinado, produzir um livro sobre os pecados da gula, contando uma história de dez amigos que se reúnem uma vez por mês para celebrar um dos pecados capitais, a gula, cheia de mistério, romance, suspense e desvario.

Eles são conhecidos como “Clube do Picadinho”, que tem esse nome porque, quando eram garotos, sempre se encontravam no bar do Albieri para comer o famoso “picadinho do Albieri”, que todos adoravam.

Mas no decorrer do tempo o paladar desses amigos foi evoluindo, e foram tomados pela avidez de saborear pratos cada vez mais sofisticados.

O grupo de amigos perdeu a vontade de perseverar na requintada comilança mensal quando um dos membros morreu. Então, Daniel, o narrador e protagonista encontra Lucídio, um gourmet misterioso, ao qual fala sobre o Clube do Picadinho e sua decadência após a morte de um dos membros.

Lucídio então se oferece para preparar o próximo jantar do Clube, que será na casa de Daniel. No dia do jantar, Lucídio preparou o prato favorito de Abel. Tudo saiu perfeito e o grupo percebeu que ele seria a salvação do Clube, que voltara a ter o encanto que havia se quebrado com a morte de Ramos.

Entre pratos exóticos, deliciosos, requinte, vinhos, mágoas, lembranças e recitações de O Rei Lear, de Shakespeare, a cada jantar, misteriosamente, um membro do Clube morre.

E é interessante notar que os amigos membros do Clube, mesmo ante a morte paulatina de cada um, se entregam ao pecado da gula e à ansiedade por mais um encontro gastronômico sofisticado, sem escrúpulos ou remorsos: a adrenalina ante esta perspectiva aumenta muito mais o prazer pela comida.

A história não está somente nos assassinatos, pois se mistura com o pecado da gula, na falta de vontade de continuar a se reunirem num determinado momento, na certeza do fracasso que suas vidas se transformaram, coroada por um indistinguível anseio de alguém que aspira morrer comendo sua refeição favorita, concluindo, os amigos, que o fim da existência terrena tem tanto significado quanto o prazer de comer.

Eles sabem e gostam disso.

O livro é muito bom e às vezes se torna um pouco imprevisível, à medida que a postura de certos personagens se torna confusa.

Ao longo do livro, a história entretece uma trama sobre a gula e a euforia e avidez que cada um dos integrantes desse grupo nutrem pela comida.

Só Veríssimo para conseguir prender a atenção do leitor com um argumento que, à primeira vista parece simples (a reunião inocente de um grupo de amigos para degustar comidas sofisticadas), para, paulatinamente, jogá-lo num emaranhado suspense, que o leva a experimentar um sentimento de incredulidade, que é a idéia de alguém ansiar por uma morte em grande estilo, resultante da degustação de um  saboroso e requintado jantar.

Mais uma vez, uma obra de Luís Fernando Veríssimo coloca a gastronomia no centro das atenções, para, a partir dela, colocar em evidência uma gama de sentimentos e emoções confusos e complexos do ser humano.


Tema: Leitura Gastronômica
Mês:
Janeiro de 2012

Um pouco sobre o mim
Eu sou o (a): Nadiége Dourado Pauly Silveira
Moro em (Cidade/Estado - UF):
Araraquara-SP (durante a semana) e Franca-SP (finais de semana)
Na net, você me encontra (Blog ou Site): facebook

Neste mês, eu li:

Título: O Clube das Chocólatras
Autor do livro: Carole Matthews
Editora: Bertrand Brasil
Nº de páginas: 208 (e-book)

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi...Eu fiquei com vontade de correr para a cozinha e preparar uma receita de brigadeiro só pra mim, pra comer de colher até acabar!!!

O livro é sobre...
Quatro mulheres vivendo situações diferentes na vida, com uma coisa em comum, a entrega ao chocolate, como se fosse a solução para todos os problemas, na verdade, não a solução, mas a fuga de todos os problemas.

Eu escolhi este livro porque...

Eu escolhi este livro porque eu desconfiava que era chocólatra, mas socialmente, no entanto descobri que tenho meu próprio momento chocólatra!!! Acho que preciso fundar um clube!!!

A leitura foi...

A leitura foi empolgante, a cada momento me identificava com os sentimentos e os problemas das 4 personagens!!

O personagem que eu gostaria de conhecer é a Autumn. Porque acho que em alguns aspectos temos uma personalidade parecida. O modo como ela recebeu o irmão em sua casa, como se preocupa com ele. O fato de ela ser professora de arte também me chamou a atenção. Gosto de ensinar o que sei e gosto de artesanato, adoraria aprender com ela.

O trecho do livro que merece destaque:
“-Sei qual é o meu limite.”

Na verdade, como a Lucy, eu também pensava que conhecia meu limite, mas acho que eu estava enganada.
“Ele sorriu de modo confiante naquele momento, ciente de que eu estava na palma da sua mão. E percebi que não conseguiria resistir aos seus encantos. Não havia nada que eu pudesse fazer: aquele cara tinha um GPS, um Sistema de Posicionamento Global, que o levava direto para o meu coração.”

Definitivamente, meu esposo tem esse poder sobre mim. Sempre teve, desde antes de começarmos a 
namorar e mesmo ainda depois de 3 anos de casados. Sou refém desse efeito há mais de 14 anos e sei que serei sempre!!!

A nota que eu dou para o livro

(Dê uma nota de 1 a 5, sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5-  Adorei)

5, sem dúvida alguma, adorei saborear a leitura e com certeza lerei “A dieta das chocólatras”.


Desafio Literário 2012
Janeiro - Literatura Gastronômica
 
Por Camila Jasmin Martins

Livro: A mesa voadora - Luís Fernando Veríssimo

Eu amo a escrita de Luís Fernando Veríssimo, mas esse livro me decepcionou um pouco. Admito que pode ter existido uma antipatia ao tema da minha parte desde o início (é difícil ler um livro inteirinho sobre comida quando se está tentando emagrecer), mas tentei ler a obra me desligando desse detalhe.

As primeiras crônicas são realmente boas, mas depois eu senti que elas estavam se repetindo. De páginas em páginas eu sentia como se já tivesse ligo aquilo, e, à certa altura isso se tornou um tanto enfadonho. Mas tenho que admitir também que é impossível não se divertir com a irreverência do autor e a genialidade que aparecia nos textos antes que eles se tornassem chatos e repetitivos. 

Bem, por causa disso tudo a leitura se arrastou um pouco, meio vergonhoso mandar a primeira resenha do ano atrasada, mas...


Ficha de Leitura
Tema: Literatura Gastronômica
Mês: Janeiro/2012

Um pouco sobre o mim
Eu sou o (a): Priscilla Reck
Moro em (Cidade/Estado - UF)
: São Paulo - SP
Na net, você me encontra (Blog ou Site): apenas no Facebook.

Neste mês, eu li:
Título: Como água para chocolate
Autor do livro: Laura Esquivel
Editora: Debolsillo
Nº de páginas: 210

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi...
Achei legal não utilizar imagens do filme baseado no livro.

O livro é sobre...
A história de vida e amor de Tita De La Garza contad por sua sobrinha neta. 

Eu escolhi este livro porque...
(Além de participar do Desafio Literário 2012 entrei em outro desafio: ler autores de língua espanhola em sua própria língua. Achei legal começar o ano com dois desafios.

A leitura foi...
Rápida e intensa. Mesmo não dominando 100 % o espanhol, a escrita da autora é muito envolvente. Imaginei que levaria 2 semanas para ler o livro, mas acabei lendo em dois dias. Em um dado momento queria saber logo como acabaria esse romance trágico.

O personagem que eu gostaria de conhecer é Tita. Por quê?
Para saborear seus pratos. Para olhar em seus olhos e ver se valeu a pena esperar tantos anos.

O trecho do livro que merece destaque:

Las palabras que algún dia John le había dicho:”Si por una emoción muy furte se llegan a encender todos  los cerillos que llevamos em nuestro interior de um solo golpe, se produce un resplandor tan fuerte que ilumina más allá de lo que podemos ver normalmente, y entonces ante nuestros ojos aparece um túnel esplendoroso y que muestra el camino que olvidamos al momento de nacer y que nos llama a reencontrar nuestro perdido origem divino. El alma desea reintegrarse aL lugar donde proviene, dejando aL curpo inerte”... (p. 208)

A nota que eu dou para o livro:
4 - gostei bastante


O livro inicia majestosamente com a seguinte citação: “Não é todo dia que se quer ouvir uma crocante fuga de Bach, ou amar uma suculenta mulher, mas todos os dias se quer comer. A fome é o único desejo reincidente, pois a visão acaba, a audição acaba, o sexo acaba, o poder acaba - mas a fome continua.” Suspiro, a verdade clama.


            Os pecados capitais são sete (número cabalístico?): gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, soberba. São ditos capitais por serem considerados pecados merecedores de condenação, com a necessidade do sacramento da confissão, segundo o catolicismo. Estes vícios foram usados (e são usados até o presente momento) como maneira de controlar, educar e proteger seus seguidores, uma forma de controlar os instintos (mais primitivos) do ser humano.

            Veríssimo vai fundo, mas muitíssimo fundo neste primeiro pecado capital. A gula é caracterizada por esse desejo insaciável pela comida ou bebida. Relaciona-se com o mais puro egoísmo humano, sempre querer mais e mais, nunca se contentando com o que já possui. Há muito dá cobiça neste pecado.

            A citação acima referente à fome, que nunca cessará, a menos que a vida cesse, é a representação mais fidedigna da história relatada pelo personagem sobrevivente do massacre, consciente, do Clube do Picadinho.

            O assassino, dito o executor, seduz a todos pelo estômago, sua culinária é digna dos deuses (ou seria do demônio?). O capricho, o cuidado, os detalhes, a comida, tudo faz com que o Clube do Picadinho ressuscite das cinzas e renasça para boa vida que sempre tiveram entre o grupo. Lucídio (Lúcifer?), o cozinheiro executor, vai além, descreve a maior sensação prazerosa que um ser humano pode ter; a mescla da boa comida com o risco da morte. Saborear um prato sabendo que a morte está contida nele torna-o tão espetacular quanto se possa imaginar.

            O ciclo vicioso se dá inicio no primeiro jantar, mesmo saciado, o paladar, a gulodice, a sensação de êxtase de segundos fazem com que a personagem busque pela morte. O risco certo com a comida perfeita.

            Eis que revelado a data do fim da sua trajetória mundana, as personagens preparam-se para tal com todo o esplendor merecido! Ninguém desiste, ou resiste, aos jantares, os velórios se somam e a loucura vira fascinação e expectativa. O pecado capital em seu maior domínio, controlado pela vingança e pela audácia do perfeito sabor da morte. 



Carina de Brito


Resenha escrita por Larissa Sbaglia
Tema Jan/2012: Literatura Gastronômica
 
O livro de Luis Fernando Veríssimo é um conjunto de 47 crônicas, muito bem humoradas, sobre os prazeres e desafios do ato de degustar. Os textos são objetivos e algumas vezes exagerados, mas é justamente esse exagero em relação a comida que dá a graça e o dinamismo à leitura. Começando com "O buffet", o autor fala sobre a dificuldade de ser bem sucedido nesse tipo de serviço, tão comum nos dias de hoje, e oferece gentilmente algumas regras de conduta de como sair de um buffet bem alimento e sem prováveis arranhões. Os diversos nomes em francês podem distrair um pouco a leitura quando não se tem o domínio do idioma, porém vale a pena fechar os olhos e reviver momentos inesquecíveis nos melhores restaurantes da França junto com o autor, sem esquecer dos cumprimentos ao chef, é claro. A leitura no geral é bastante agradável e não exige muito esforço da mente de férias do leitor, é ideal para começar o ano e instigar o nosso paladar para 2012.


Resenha escrita por Maria Amelia Mello
Tema Jan/2012: Literatura Gastronômica

Acompanhamos a chegada de Vianne Rocher e sua pequena filha Anouk ao vilarejo Lansquenet-sous-Tannes no último dia do Carnaval. O vilarejo poderia estar localizado em algum lugar no interior, até mesmo no sertão brasileiro ou uma cidade cenográfica, tamanha a proximidade dos personagens com o nosso imaginário, mas passa-se na França.

Em Lansquenet-sous-Tannes nos deparamos com personagens quase caricatos do que seria uma província católica: o padre repressor, as fiéis carolas, a sofrida esposa silenciosa, a idosa atrevida, entre tantos outros. Porém, no decorrer da história, estes personagens vão se misturando à outros que chegaram ao vilarejo, como Vianne e Anouk e como os ciganos. E dessas misturas e encontros, vocês irão se reconhecer em alguns deles.

Vianne e sua filha chegam ao vilarejo e resolvem ficar, criar raízes, o que é algo bem novo para elas. Elas abrem na cidade uma casa de chocolate, ou melhor, Chocolaterie Artisanale “La Celeste Praline” e aos poucos, mesmo à contragosto para alguns, os personagens vão se modificando com o poder do chocolate em suas vidas. E todas estas mudanças acontecerão em um período específico, a Quaresma, em que veremos o moralismo (ou falso) antagonizando com a liberdade de diversas maneiras (alegria, aconchego, desejo...)

À todo instante somos levados por dualidades e sensações. Cores extravagantes se sobrepondo ao cinza, aromas de flores, amizade extinguindo preconceitos, o sabor do chocolate-quente e a magia do misticismo.

Talvez este livro não seja para todos, tenho a leve impressão de que alguns estranharão o ar poético, o ritmo lento e a doçura. O livro é um doce exagero, mas vale a pena uma experiência tranqüila de vez em quando!

Em 2000 este livro foi adaptado para o cinema com direção de Lasse Hallström (Um Lugar Para Recomeçar) e tendo no elenco estrelas como Johnny Deep, Juliette Binoche, Judy Dench, e Alfred Molina. Foi indicado a cinco Oscar: melhor filme, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante, melhor trilha sonora e melhor roteiro adaptado.


O não me deixes – suas histórias e sua cozinha
Rachel de Queiroz
Editora Siciliano
174 páginas
Tema: Literatura gastronômica
Mês
: Janeiro 2012

A casa ampla na capa (edição do ano 2000) é um convite para entrar e descobrir como funciona a cozinha e ouvir alguns “causos” da fazenda. De maneira leve e descontraída a autora nos revela o que é produzido no seu fogão a lenha, com forno separado. Receitas sem muita sofisticação herdadas dos índios e portugueses com um toque da cozinha da época da escravidão.

Antônia e Nise eram as chefes das cozinhas das fazendas da vida de Rachel. Antônia na Fazenda do Pici que pertenceu ao pai da escritora e Nise na Fazenda Não Me Deixes herdada por Rachel. Dentre as delícias produzidas por elas estão: paçoca (carne seca pilada com farinha e temperos), baião-de-dois (feijão-de-corda cozido com arroz), queijo de coalho, mugunzá, panelada (prato a base de tripas e bucho de carneiro), buchada, galinha de cabidela (feita com o sangue colhido ao matar), bolos, doces, etc.

Intercalando receitas e histórias que vem à sua lembrança, Rachel nos conduz ao entendimento da simplicidade no ato de se alimentar e da paixão do sertanejo pela terra árida. Feijão, rapadura, farinha são os principais ingredientes da culinária cearense que originam pratos que dão sustança. Como faltam recursos, de maneira geral, a culinária do homem do sertão não tem como ser variada. Apesar das dificuldades, o amor pela terra prevalece e nos ensina que a vida não precisa de supérfluos:

“Há um prazer áspero na permanente descoberta de quanto supérfluo a gente
se sobrecarrega e de como é fácil a gente se despojar dele.
É como tirar uma casca suja. Ou uma pele velha, seca, engelhada.
Viver no dia a dia, sem conhecer ambição, mesmo porque não há o que se querer.”

Ótimo livro! Leitura recomendada para quem quer conhecer a riqueza da simplicidade da culinária cearense!

Ana Paula de A. O. Westerkamp